sábado, 10 de abril de 2010

quantos? cena 5

MÃE: O que que você escreveu hoje?

Silêncio.


Vai dizer que você não fez nada?

MANU 1: Também não. O banheiro.

MÃE: Você escovou o azulejo com a escovinha, não foi? Com a escova de dente?

MANU 1: Eu prometo que vou te deixar ler, só que no final.

Mãe espicha o pescoço para o caderno.


MÃE: “Fazer um subcap a partir de Jéssica, q diz p o namorado q é trans e p os clientes q é trav”. E então você escreve em letras grandes: “COMO É MSM O NOME DO JOGO?”
O nome do jogo é capitalismo, meu bem.

MANU 1: Manipulação de identidade.

MÃE: Mas que vergonha, você virou psicóloga?

MANU 1: Eu tenho uma visão científica, que eu estudo há anos, da Antropologia, por isso que eu posso falar. Não é como se eu tivesse no boteco chutando uma explicação pro comportamento da gente.

MÃE: Depois de se comportar a vida inteira.

Se eu roubasse o teu diploma
se eu roubasse a roupa do juiz, meu freguês,
isso seria uma revolução. Quando você rouba a coisa é sempre do outro, é só com a revolução que daí a coisa começa mesmo a ser tua.

MANU 1: Foi o coronel que falou isso?

MÃE: Claro que não. Pro coronel é roubo pra sempre. Eu que tava inventando agora.
Às vezes eu invento letra de música, quando ouço uma música que nunca ouvi, e quase sempre né eu acerto tal como que vai terminar a frase, com que palavra ela vai terminar.

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