sexta-feira, 28 de agosto de 2009

literomania

Amanhã também tem, na Bienal do Livro de Curitiba,
Literomania - Sarau dos Jovens Poetas
organizado pela Revista OFFLINE (editor Ricardo Peruchi)
sábado (29/8) das 19h às 21h30
Espaço Conexão Geral, na Universidade Positivo.
Homenagem a Paulo Leminski por seus 65 anos.
Logo após, declamação de poetas convidados.


primeiras leituras do núcleo de dramaturgia na i bienal do livro

meeerda! ^^

O Núcleo de Dramaturgia SESI Paraná promove, a partir de amanhã (sábado, 29/08), o Ciclo de Leituras dos primeiros textos produzidos por integrantes da Oficina Regular de Dramaturgia que está sendo realizada desde março e que conta com a orientação do autor e diretor teatral Roberto Alvim, carioca radicado em São Paulo. As Primeiras Leituras acontecerão no stand do SESI Cultural na I Bienal do Livro que acontece no Expo Unimed Curitiba, campus da Universidade Positivo.

As leituras vão acontecer das 18 às 19 horas e a programação prevê leituras de textos de Rogério Viana, amanhã, sábado (29/08); Nana Rodrigues, domingo (30/08); Andrew Knoll, segunda-feira (31/08); Cynthia Becker, terça-feira (01/09); Pagu Leal, quarta-feira (02/09) e Douglas Daronco, quinta-feira (03/09). No domingo, dia 30, às 19h, acontecerá um bate-papo com o dramaturgo e coordenador do Núcleo de Dramaturgia Marcos Damaceno, que falará sobre o processo de criação de novos textos para teatro.

www.sesipr.org.br/nucleodedramaturgia


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

insônia e canções

por Larissa Selhorst Seixas

Você está desperta de novo, no meio da madrugada. Você sente que não vai mais conseguir dormir, que seu corpo e seus olhos estão tão despertos como se você tivesse acordado de um pesadelo. Mas você não acordou de um pesadelo, você sabe que a insônia sempre vem naquelas noites quando você sabe que terá um longo dia pela frente e num misto de ansiedade e recusa, seu corpo simplesmente não consegue relaxar.

E fica uma música, sempre uma música persistente, tocando tão alto dentro da sua cabeça que você mal consegue ouvir seus pensamentos, ela fica cantando com aquela voz fina e melancólica “are you crawled out of the sea straight into my arms, straight into my arms...”. E você ouve esses pássaros cantando um canto repetitivo, monótono, cantado cem mil, um milhão de vezes a mesma nota esganiçada, como se cantar esse canto fosse o objetivo de tudo, do dia nascer, do planeta girar, do universo se expandir. Como pode esse canto estar aqui, na madrugada dessa cidade de tons pastéis tão sujos, nessa cidade onde estamos presos e soltos, amarrados e livres. E tem sempre esses barulhos na madrugada, barulhos incompreensíveis, parecendo sempre tão próximos daqui, alguém batendo com força pra entrar, alguma coisa sendo misteriosamente arrastada. Você fica um longo tempo atenta a esses barulhos, começa a se sentir um pouco amedrontada, o barulho não para, de tempos em tempos alguém bate numa porta que não é a sua, mas que poderia ser. Então você se lembra dele, dele, dele, ele que você queria tanto que batesse na sua porta, dos olhos tão verdes como se um dos seus pais fosse um farol de trânsito, ele, tão luminoso, tão atraente pra você como se uma força magnética emanasse do corpo dele, como se ele fosse um astro e você um simples asteróide, tão forte e duro agora, agora que agosto está chegando ao fim e ele está indo embora. E você queria poder pedir pra ele ficar, poder encontrar a senha que traria ele pra perto de você, mas isso não vai acontecer, você sabe que não vai, e aquela dor persistente mas suportável continua. Logo ele estará em outro continente, em outro hemisfério, quase em outro planeta, e você sabe que de lá, numa distância segura, ele procurará você de novo, quando chover, quando for inverno, quando a cidade o repelir como a um árabe passado por terrorista, mas então você se lembra que é Paris e quem pode se sentir sozinho em Paris, com todos aqueles fantasmas fabulosos dos grandes homens e mulheres que, como ele, viveram em algum momento nessa Paris que eu desejei tanto também ser minha.

E você se pergunta por que está escrevendo isso, por que se deu ao trabalho de ligar o computador só pra isso, mas, no fundo, você sabe que é por que você queria poder impressioná-lo, a ele e a tantos outros, mostrar que você tem algum talento, mesmo que não tenha, provar que você escreve tão bem quanto aquela mulher de terríveis olhos castanhos que tirou você dos braços do amor. E você queria escrever algo tão bonito, algo doce, amargo, ácido, com todos os sabores, algo comovente, tocante, sufocante, cheio de sombras e vestígios de antigos ou nem tão antigos sofrimentos e rejeições, você queria ser amada por isso, por essa pequena fração de algo doloroso, brilhante, terrivelmente belo que sairia de seus dedos. Mas isso tudo é bobagem, você ainda tem mais uma hora até o despertador tocar e, de repente, aliviada do peso desses pensamentos da insônia, você resolve experimentar fechar os olhos e então, ploft! dorme.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

do trovão em diante, ela voa

(só um pouquinho só, hoje)
Será que Sarah Kane imaginou que o monólogo do pedófilo que escreveu em Crave seria trocado entre amantes na internet? De maneira piegas, de maneira criminosa. It has to stop.
E eu também profano, cortando o trechinho abaixo de 4:48 Psicose pra vocês:

I've never understood
what it is I'm not supposed to feel
like a bird on the wind in a swollen sky
my mind is torn by lightning
and it flies from the thunder behind

(nunca entendi
o que é que não é pra sentir
pássaro suspenso no céu pesado
minha mente é desfeita pelo clarão
e abandona o trovão no seu voo)


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

diane wakoski

Tradução em andamento, minha, com revisão da Miriam Adelman.


5 de Paus: Rapazes Lutando ou Jogando com Bambus.

O segredo

sempre foi

o que os homens acham

pra fazer

uns com os outros. Essa grande

maioria de momentos que, como o futebol

e certas micoses, e mineração

excluem mulheres.


Nós temos tão

pouco.

A taba

aonde ir

quando sangramos, e a lua nada

ou vai embora com a água dentre nossas

coxas.


      Polo aquático,

      um esporte grande,

      em meu colégio californiano,

      o eleito dos riquinhos que moravam

      com suas piscinas em Heights

      garotos

      que dirigiam Fords novos

      antes de entrar na faculdade, depois

      do aniversário de dezesseis, garotos

      que fechavam os olhos quando tocavam

      a gente nos lugares molhados, todas

      nós querendo ver suas mãos

      saírem limpas de sangue. Mas os

      lábios, sempre sangrentos.

      disséssemos “Bah-bah-bah-

      Bah-bah-bra-Ann” ou

      "my Little Deuce Coupe”

      bebêssemos cherry cokes

      ou leite, poetas ou cinéfilas, andamos em nossas crinolinas engomadas

      e blusas de lacinho indo mensalmente

      para os quartos segregados, cheirando

      a peixe sob a água de colônia.

Mas os garotos, eles se divertiam

quando estavam segregados;

quando ficavam juntos sozinhos

eles tocavam

– com piadas,

ou saudações

“Meu chapa”

como nunca fizemos;

eles falavam,

como ainda não podemos,

descobriam como o mundo gira,

como a gente,

é claro,

não.

E polo aquático, os garotos

batendo aquela bola grande e branca

na água verde-esmeralda

da piscina olímpica da FUHS,

Oh, eles sabiam até nossos segredos.

Que a lua que eles tinham lançado e espirrado e estapeado

na água era justo como aquela

empurrada dentre nossas coxas todo mês

- se éramos boas,

- se tínhamos sorte,

- se éramos espertas.


Ah, não me diga NUNCA

que as mulheres têm vidas secretas

ou tesouros

que ninguém fora outras mulheres

conhece.

Me diga,

ao invés,

que o segredo é,

sempre foi,

por que homens têm tanto prazer

na companhia uns dos outros, por que mulheres,

quando segregadas e juntas

de outras, só têm taba menstrual,

o velho, grosso sangue mensal

pra dividir?

ou o tabu oposto:

o clonezinho nosso

moldando dentro de nosso corpo,

seu rosto e forma a partir da lua,

que some então por nove meses ainda

mais

solitários.

Uma criança no lugar da mãe.



5 of Staves (Wands):Young Men Fighting or Playing with Green Poles.

The secret

has always been

what men find

to do

with eachother. Those great

majority of moments which, like football

and jock itch, and mining

exclude women.

We have so

little.

The hut

where we go

when we're bleeding, and the moon

is swimming or being washed from out between our

thighs.

Water polo,

a big sport,

at my Southern California high school,

favored by rich kids who lived in the

Heights with swimming pools

boys

who drove their new Fords when they were juniors

after their sixteenth birthday, boys

who closed their eyes when they touched

us in those wet places, all

of us hoping their hands

would not come away bloody. But the

lips always were.

whether we say "Bah-bah-bah-

Bah-bah-bra-Ann" or

my "Little Deuce Coupe"

whether we drank cherry cokes

or milk or wrote poetry or watched movies

we watched in our starched crinolines

and lacy blouses once a month to

segregated rooms, smelling like fish

under our deodorant.

But the boys, they had fun

when they were segregated;

when they were alone together

they touched

-- with jokes,

or greetings

"Hey Man"

as we never did;

they talked,

as we still cannot;

they found out how to run the world,

as,

of course,

we do not.

And water polo, those boys

hitting that big white ball around

in the green-like-emeralds water

of the FUHS Olympic-sized pool,

Oh, they even knew our secrets.

That the moon they tapped and spun and slapped

around the water was just like the one

pushed out between our thighs each month

- if we were good,

- if were were lucky,

- if we were smart.

Oh, don´t tell me EVER

that women have secret lives

or treasures

that no one except other women

knows about.

Tell me,

instead,

that the secret is,

and always has been,

why

men find so much pleasure in each

other's company; why women

when they are segregated and together with

each other, have only the menstrual hut,

the old, rusty, monthly blood

to share?

or its taboo opposite:

the little clone of ourselves

forming inside our bodies,

etching its face and shape on the moon,

which will then disappear for nine even lonelier

months.

A child to replace the mother.


segunda-feira, 17 de agosto de 2009


sexta-feira me senti inútil por postar mais um videozinho do youtube, então resolvi traduzir a letra,
priorizando duas tônicas, de preferência quatro.

LOVE IS LIKE A BOTTLE OF GIN

It makes you blind, it does you in
It makes you think you're pretty tough
It makes you prone to crime and sin
It makes you say things off the cuff

It's very small and made of glass
and grossly over-advertised
It turns a genius to an ass
and makes a fool think he is wise

It could make you regret your birth
or turn cartwheels in your best suit
It costs a lot more than it's worth
and yet there is no substitute

They keep it on a higher shelf
the older and more pure it grows
It has no color in itself
but it can make you see rainbows

You can find it on the Bowery
or you can find it at Elaine's
It makes your words more flowery
It makes the sun shine, makes it rain

You just get out what they put in
and they never put in enough
Love is like a bottle of gin
but a bottle of gin is not like love

O AMOR PARECE UMA GARRAFA DE GIM

Algo que cega, que te arrasa
Te faz pensar que é superfoda
Te faz propenso ao crime e erro
Traz disparates pra tua boca

É bem pequeno e é de vidro
sua propaganda é enganosa
Transforma um gênio num mané
E faz um tolo achar que é sábio

Azar nascer pra se atirar
Se não há rede, só algo que
Custa bem mais que o seu valor
Não se inventou nada melhor

Na prateleira lá em cima
É que ele fica puro e antigo
É em si mesmo incolor
Mas te faz ver o arco-íris

Será encontrado em Bovary
E lá na casa da Elaine
Torna teu verbo floreado
E chove a chuva e brilha o sol

Você só dá o que recebe
E é sempre menos do que basta
O amor é gim numa garrafa
Só que a garrafa né amor

(Ainda que eu goste:
O amor é feito uma cachaça
Mas esse mé não lembra amor)

manhã e depois

com o atrativo extra de me dar oi no saguão.


sexta-feira, 14 de agosto de 2009

but a bottle of gin is not like love


morar com a larissa torna até os corno da gente mais chic.


quarta-feira, 12 de agosto de 2009

só no undergroundi

– Pedi a conta no meu emprego.
– De novo? Parabéns.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

oh banana à milanesa

o que não me mata é aquilo que me engorda

banana à milanesa
fruta elevada a fritura

obscenamente enroscada
na farinha de rosca

emissária da gordura da indústria
em meu transestômago

no restaurante barato
que não me convida
a conhecer a cozinha

o que não decifro é aquilo que devoro


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

o sinal de vai tomar no cu

fernando pessoa

"Alma era uma gíria em Portugal pra pica."
professor Hans Silva

e-mail importante

Vc só precisa mudar a primeira parte para
Eu, (nome), apelo...


Companheiras,
Conforme já circulado, o Brasil está prestes a assinar uma Concordata Brasil/ Vaticano, que coloca a igreja católica em uma situação de privilégio no estado brasileiro. Se aprovado, os bens da igreja católica estarão isentos de impostos e o ensino religioso Católico será obrigatório nas escolas, dentre outras arbitrariedades que ferem o direito ao estado laico e a igualdade de tratamento perante as múltiplas regilgiões existentes no país.
Por essa razão, estamos pedindo que todas e todos assinem, individual e como organizações, e enviem para os endereços abaixo para impedir que essa Concordata seja assinada. A previsão de votação é para amanhã.
Saudações Feministas,
Marcha Mundial das Mulheres
E-MAILS:

Ao Presidente da República– pr@planalto.gov.br; gabinete@planalto.gov.br; mgarcia@planalto.gov.br
Ao Ministério das Relações Exteriores -celsoamorim@mre.gov.br; marialaura@mre.gov.br; samuel@mre.gov.br
Ao Relator da MSC 134/09, Sr. Bonifacio de Andrada – dep.bonifaciodeandrada@camara.gov.br
Ao Presidente da Câmara Deputado Michel Temer – dep.micheltemer@camara.gov.br

CARTA:
Nós, da _(colocar o nome da entidade ou pessoa)_, apelamos ao Ministério das Relações exteriores a imediata retirada da Mensagem MSC 134/2009 que tramita na Comissão de Relações Exteriores, desde 12 de março de 2009.
Este Acordo assinado entre o governo brasileiro e a Santa Sé, fere a Constituição Federal – artigo 19, ao alterar o regime jurídico da relação entre o Estado brasileiro e as religiões rompendo com o princípio da laicidade e demais princípios conexos.
Apelamos aos legisladores e autoridades do executivo para que respeitem o caráter laico e democrático do Estado brasileiro garantindo a pluralidade de religiões e crenças, sem interferência de nenhuma delas para estabelecer tratamento privilegiado.
Cabe ao Estado respeitar e observar com neutralidade os fenômenos religiosos. O Estado laico deve considerar todos os credos religiosos como iguais e para isso todos devem ter os mesmos direitos. Esse acordo coloca a Igreja Católica em um patamar diferenciado das outras religiões, já que apenas ela poderá fazer um acordo entre Estados. Deste modo, a concordata não pode ser assinada e a sociedade civil tem um papel importante nesse processo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

nossa necessidade do azul

a publicidade avança, o inimaginável se torna capital. mas os passos dessas entidades ainda vão atrasados perto dos de deus, mercadoria enganosa que se apropriou do céu, o maior outdoor que existe. dos "louvado seja apolo" aos "dia lin-do", hoje estão garantidas as melhores moedinhas possíveis para uma segunda-feira.