sexta-feira, 5 de junho de 2009

mc sá

Não vou poupar meus leitores. A essa altura da vida, diz o Cleber, o que vier é lucro.
Andei vendo uns shows de rap. Como disse minha amiga, que é atriz: vim aqui pra dar minha buceta, saí repensando meu teatro.
O que faz os caras tão bons não é só a puta técnica de versificação; é a liberdade de dar a real (gostaram?). Eles não caíram na balela ideológica do Sublime.
Claro que fiquei com o ritmo martelando e tinha que praticar essa liberdade um pouco:

A igualdade é meu princípio
mas não é o meu início.
Fui criada pro silêncio
contra a minha inteligência.

Eu não quero ser espelho
nem ser um duplo dos homens.
Quero respeito no lugar de flores.

Pois se eu obedeço e pareço perfeita
adoeço e o mundo não me estorna a paciência.

Você pode falar pouco e até de trás pra frente.
Fala da bunda da irmã?
Você me ofende.

Não é só um comentário a palavra que invade,
otário, o corpo é meu,
vê se te fode!

Pois se eu tô exposta num balcão de carne
isso foi contra a minha vontade.
Nem ninguém perguntou. Teve mais violência:
esse teu fone que é minha mordaça.

Você tapa teu ouvido
como se fosse mia boca.
Como fazer outro mundo?
Me escuta, porra.

2 comentários:

Larissa disse...

nossa, fiquei impressionada com sua canção! dá até pra imaginar a negra li cantando!

Sabrina disse...

oba!
os mcs de verdade devem achar um saco esses usos de sua liberdade fora do movimento?