segunda-feira, 18 de maio de 2009

contracarne

texto de joana corona

contraface do teu olhar, caminho que percorro às escondidas. moldado à tua boca, o andar da minha língua. que te procura na cama ainda dormida, lambe os lábios o rosto o pescoço as orelhas a barriga e o sexo. e desperta com a tua, lânguidas. colada à tua pele, meu silêncio: o amanhecer de nós. nosso viver. o que vivo de você outro percurso, à margem do sorriso do corpo, aberto. tua permanência. que encaixa-se em dobras e desdobras. na minh’alma. e desvio tua moldura, adentro a carne. imersão violenta. em torno e encravada. à esquerda, pelo canto e infiltrada. inteira, mas por partes. como alargasse o espaço para adequar ao meu corpo e mais, ao abstrato de mim que te ocupa. investiga os esconderijos e a habilidade dos teus devaneios. a pequenez dos nossos limites, que confessamos. somos carne, palavra e sonho. amor que engole, do canibalismo herdado. somos o que retemos e o nosso desperdício mútuo.

1 comentário:

Geverson disse...

Por issso, que não deixo de passar por aqui...dá vontade de gritar tudo isso.