quinta-feira, 28 de maio de 2009

mãe, argumento errado

não é tão ruim. passa voando, quando você vê já tá no dia de receber o salário.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

espíritos livres x duras verdades

carteira assinada

Eu era, todos sabem, tão livre quanto freelancer. O que quer dizer pular correndo de minha rede artesanal quando os clientes chamam. Faz doze anos que trabalho fora e não conta nenhum para a minha aposentadoria.
Veja tudo como se não houvesse amanhã porque
Parece um dia tão normal
Mas em cada esquina você pode vacilar*

Há um mês e pouco, peguei um frila numa agência de publicidade. Não é a primeira vez que acontece de quererem me contratar. Né, gente. Mas dessa vez fiquei com a ideia fermentando na cabeça. Bons e tristes motivos, acabei dizendo “sim” para eles.

Logo em seguida, tomei a vacina da gripe, pra poder passar o ano compartilhando escritório com aquela gente.

Fora não estar sozinha, por isso não poder ler em voz alta (a irmã Carolina sonhava poder bater nas crianças com uma régua), outros fatores coercitivos atuam sobre quem trabalha em firma. A idade: alguns anos atrás, eu trabalhava sentada no chão imundo de uma editora idem pra descansar as costas. Hoje já adquiri vergonha. E você não pode se apoiar na mesa pra fazer alongamento (pelo menos na minha posição hierárquica).

As roupas: não pode ir trabalhar de roupão, não pode trabalhar pelada, não pode trabalhar enrolada no cobertor e ligar o aquecedor do lado. Não pode ficar 20 minutos escolhendo a roupa, porque vai chegar atrasada. Não pode pegar a primeira que aparece e sair vestida de azul com marrom. Se bem que eu já fiz isso umas três vezes desde que comecei.

Ninguém fala nada, mas me disseram que tem manicura uma vez por semana. Metade você paga, metade é a empresa. Poderia dizer que meu espírito livre quer minhas presas selvagens. A verdade é que acho anti-higiênico esse negócio de manicura. Tenho nojo. Mas voltei a esconder certos hábitos selvagens, assim que me dei conta deles novamente. O que é pentear os cabelos, depois de já ter cursado uma faculdade inteira? Trabalhar para o capital é mesmo pior que numa ONG cristã, em que alguém, igualmente despenteada, sempre apaga a palavra “travesti” dos teus textos?

Também é verdade que, pelo menos, um pouco de aglomeração significa ter alguém para quem dizer “horrível” toda vez que tira o acento de pára. É por isso que o ser humano busca a coletividade.

Observo alguns minutos o andar em que só trabalham mulheres. Em pouco tempo, penso, vamos menstruar todas juntas. Agora, porém, gripamos todos juntos, antes que a vacina pudesse fazer efeito.

A diferença foi comprar todo o limão necessário com vale-alimentação, que é muito mais charmoso que o seu valor em dinheiro.

Dúvida da vida: como faço pra tocar o foda-se e só fazer o que eu gosto sem pensar no almoço?
Isto, se bem entendo, quer dizer ganhar muito sem nenhum trabalho. Mas, vigário meu, é justamente o emprego que eu procuro, e não acho, há uns vinte e cinco anos, pelo menos. Não cheguei a por anúncios, porque acho feio; mas falo a todos os amigos e conhecidos, obtenho cartas de recomendação, palavras doces, e mais nada.

O almoço é uma questão que envolve tanto aspectos filosóficos quanto digestivos.

Quem trabalha seis horas por dia tem quinze minutos por lei. Corri pra comer durante uma semana, na outra testei o micro-ondas da cozinha que fica dentro da empresa, mas só dava pra comer de pé na pequena bancada de mármore da pia. Descobri a cozinha secreta da crew proletária, que não tem panelas. Trouxe uma frigideira e passei a esquentar a comida no fogão. Não sou um espírito orgulhoso, mas haja paciência.

Dúvida do dia: compro um Marmi Quent igual ao de todo mundo, ou um Marmi Quent Chic, que é mais o meu estilo?

* Faltaram referências proféticas, mas o Google.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Alguém: Eu também gosto de poesia. A gente sempre faz recitais bem bonitos.
Eu: De que igreja você é?

Pensar que em tempos recentes organizava recitais num lugar chamado Cenáculo. E só agora entendi: era pra disfarçar que os irmão diziam “récita”.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

quinta

A morte ocorreu cinco horas após interrupção das obras da refinaria. A Ahomar enfrenta a Petrobras em um conflito em torno da implantação do projeto GLP na Praia de Mauá, na Baía de Guanabara, iniciado há mais de um ano. A obra, que integra o Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC), foi paralisada pelos pescadores por 36 dias no mês passado. Os pescadores resistem à obra em função do impacto no meio ambiente e da inviabilidade da pesca artesanal, principal atividade de subsistência de uma comunidade de três mil famílias.

O de cima é do Extra, e este link vai para o Estadão.

sinopse

trechos indigestos de ouvir

marido come um pedaço da mulher

sinto em algum lugar

entre o meu coração e o meu pau

que eu te amo.

para se dissolver um no outro

por amor

dói qdo não é amor

lembrança de uma criança

anciã

o antropol.q se alimenta das palavras dos outros

gravador/ sepultura

da

alma

índios s/ ‘tipo’

último remanescente de uma

cultura

morte na voz do missionário

p/que as coisas ruins desapareçam, basta tirar o nome

perdeu os parentes quando não entendeu sua ling.

Paracanã

paracanã

(estuprou, prost., e por

fim, come – “purificar”)

(plat. incivilizada com suas bolsas, rinites, cel., bolsas)

comer inteiro: cabe?

sustentar fantasmas

uma hist. do homem morre aqui
motoserra/derrubada, enqto se come sua língua

Anotações durante a peça A refeição, Jacinta Empreendimentos, texto de Newton Moreno, 2007.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

contracarne

texto de joana corona

contraface do teu olhar, caminho que percorro às escondidas. moldado à tua boca, o andar da minha língua. que te procura na cama ainda dormida, lambe os lábios o rosto o pescoço as orelhas a barriga e o sexo. e desperta com a tua, lânguidas. colada à tua pele, meu silêncio: o amanhecer de nós. nosso viver. o que vivo de você outro percurso, à margem do sorriso do corpo, aberto. tua permanência. que encaixa-se em dobras e desdobras. na minh’alma. e desvio tua moldura, adentro a carne. imersão violenta. em torno e encravada. à esquerda, pelo canto e infiltrada. inteira, mas por partes. como alargasse o espaço para adequar ao meu corpo e mais, ao abstrato de mim que te ocupa. investiga os esconderijos e a habilidade dos teus devaneios. a pequenez dos nossos limites, que confessamos. somos carne, palavra e sonho. amor que engole, do canibalismo herdado. somos o que retemos e o nosso desperdício mútuo.

tenha medo


Sabrina Lopes no Parangolé: "Apaguem a luuuuz!". Foto de Eliana Borges.

domingo, 17 de maio de 2009

pecinhas para uma tecnologia do afeto

Dentro da programação “Segundas Experimentais”, do Wonka.

Textos de Luiz Felipe Leprevost.Sala Vip, com Ciliane Vendruscolo e direção de Fábia Regina.

Olho Humano, com Ana Ferreira e direção de Nina Rosa Sá.

E a DJ Nina Rosa ainda vai tocar depois.Tudo isso por apenas $ 05,00.No Wonka Bar, nessa segunda, dia 18, às 21:00.

sábado, 16 de maio de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

todo gênio precisa


– Tia! Que casaco legal!
– Eu pareço uma astronauta de férias?
– Exatamente!

O bom de ter uma criança na família é que alguém me compreende.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

perdí meus hífenes

vida-de-lopes
substantivo feminino
m.q.
vidão

vidão
substantivo masculino
uma boa vida; uma vida cheia de prazeres;
Ex.: ganhou na loteria e passou a ter um v.

(Isso foi um presente da Fabíola Werlang via Houaiss)