sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Carta Denúncia de perseguição e tentativa de criminalização por defender a autonomia e os direitos das mulheres

O evento em que surgiu a denúncia foi promovido pelo Centro Che, com apoio do Comitê de Luta pela Legalização do Aborto e Núcleo de Estudos de Gênero (UFPR). Estive lá até o final da palestra, e o tema foi exclusivamente o aborto legal (justamente o tema em que CDD atua). Houve um debate conduzido por algumas pessoas da platéia sobre o começo da vida, mas nenhuma menção ao atendimento em aborto ilegal. Essa é uma tentativa de tolher a ação das feministas, inclusive por exigir, para a defesa, uma estrutura jurídica que nem sempre entidades como CDD podem bancar.

Sabrina.


Vimos a público denunciar um processo de perseguição e tentativa de criminalizar nossas integrantes e ainda de procurar desacreditar publicamente nossa organização.

Fomos alvo de uma denúncia sob a acusação de fazer apologia ao aborto e facilitação de crime. A denúncia foi feita anonimamente por alguém que participou de uma palestra que Rosângela Talib proferiu na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Essa pessoa, através de e-mail, notificou a promotoria de justiça do estado do Paraná, que, por sua vez, acatou a denuncia. A justificativa da denúncia é que a integrante de Católicas, Rosângela Aparecida Talib, teria dito que na organização informamos às mulheres quais profissionais e serviços prestam atendimento seguro.

Esclarecemos, no entanto, que Rosangela Aparecida Talib, a denunciada, coordena um trabalho de sensibilização e capacitação de profissionais e demais pessoas dos setores que atuam no atendimento de mulheres vítimas de violência sexual, visando a contribuir para a ampliação e melhoria dos serviços de aborto legal no país - previsto em lei. Não só ela, como todas nós, de Católicas, quando indagadas pelas mulheres, informamos sobre a legislação e os locais de funcionamento dos serviços de aborto legal. Além disso, atuamos politicamente, exercendo a nossa cidadania, para que o aborto deixe de ser considerado crime naqueles casos não previstos em lei, e, para que as mulheres, especialmente as pobres, possam ter atendimento nos hospitais públicos, evitando assim que morram em decorrência da prática clandestina e insegura do aborto.

Católicas pelo Direito de Decidir, uma organização não governamental feminista, desde 1993, luta por justiça social, articulada com outras organizações brasileiras, bem como atua para a conquista da autonomia das mulheres. Lutamos especialmente para garantir o direito de decidir de homens e mulheres sobre a sexualidade e a reprodução. Defendemos a pluralidade e o respeito às expressões religiosas, sem distinção. Defendemos o respeito à condição laica do Estado brasileiro como a única forma de garantir a cidadania de todos e todas.

Atuamos por uma política ampla e efetiva de saúde reprodutiva que garanta os meios efetivos de educação e acesso ao planejamento familiar. Defendemos que a decisão de uma mulher de interromper a gravidez seja respeitada como um direito.

Repudiamos a forma autoritária e inquisitória encadeada por grupos fundamentalistas com o claro propósito de evitar o debate social e realizar verdadeira perseguição às pessoas e organizações que buscam a conquista da liberdade e da emancipação de homens e mulheres.

Denunciamos a existência de um processo de perseguição em curso no Brasil, com o indiciamento de mais de mil mulheres no Mato Grosso do Sul, e com a aprovação na Câmara dos Deputados de uma CPI da inquisição (do aborto), em dezembro de 2008. Esta CPI quer utilizar o Congresso nacional como instrumento de criminalização das mulheres e das organizações que apóiam as lutas por autonomia das mulheres.

29/01/2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

dessublimação

estar imersa no cheiro da chuva é deixar de senti-lo

chega a hora em que os olhos se fartam de paisagem e

a velocidade do carro faz o vento doer

então nada pode ser multiplicado, nada pode ser retido, essa

voracidade estética faz pensar, da morte, que seja perfeita, porque completa

Quando houve música para teus olhos e palavras para a tua pele

pensa-se que se pode romper com a intensidade

Um dia o que arrebentar vai se tornar leve

como essas árvores que se lançam ao sol

Deitados vemos, na praça poluída

alguma coisa que ninguém explica

Ouvimos a umidade,

é como silêncio

É muito material isso. O algodão-doce que serviríamos aos anjos, as covas do teu rosto, no sorriso. O corte seria o que sentiríamos, o preço de um ardido forte

nos antebraços

nos sentiríamos córrego, o vermelho tão bonito retribuindo um espetáculo às estrelas. Porque o brilho é contínuo, mas o sangue tem uma narrativa, contada pelos lençóis de que roubamos a brancura, nos esvaindo, e vendo, ao mesmo tempo que somos, o que não somos mais. Tudo aquilo que derramamos, não importando "tudo": há uma coisa: "vermelho".

As estrelas

não sabem assistir (nunca soube se os negros escolhem

um fundo branco para se cortar)

Tanta pesquisa, tão pouco entendimento,

porque a lição era ser terra, alguém?

Quanto mais descemos, estamos no divino: é o que não se pode partilhar de jeito algum.

Dois passarinhos não sabem disso; não se preocupam em não saber. Não somos nós. Nós temos roupas, e as sujamos na praça, sonhando em conduzir Dante como só GH poderia. Não somos GH: rolamos para escapar da bosta de um passarinho, e rimos. Isso também é um prazer, mas vem com a palavra "um".

Esse velho bem que podia jogar uma pipoca.

Eu abriria a boca.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009


Dando início às atividades públicas do Cafofo Couve-flor, convidamos para a ativididade:
"nteração e Conectividade: Dança, Humor e Política"

Em novembro de 2008 o os artistas do Couve-Flor Minicomunidade Artística Mundial, participaram do projeto Interação e Conectividade, organizado pelo grupo bahiano Dimenti, na cidade de Salvador.

Propomos agora uma forma de compartilhar um pouco deste encontro com a comunidade de Curitiba, através de um Workshop/Conversa + Mostra de Vídeos.

Serviço

Workshop/Conversa + Mostra de Vídeos
Local: Cafofo Couve-Flor (Rua Presidente Faria, 266)
Data: 29 e 30 de janeiro
Hora: 18h às 22h
Informações: 9682 6949 ou 9624 7077

Gratuito. Dirigido a interessados em dança e arte contemporânea

domingo, 25 de janeiro de 2009

(um poema velhíssimo)

Para G.

O amado é meu jardim,

minha
piscina,
o moço que varre minha casa,
minha mãe quando fico doente,
um
anglicismo destemperado nesse mundo que tem maluco,

e eu amo

o papel da sua pele jovem,
o osso que desenha impiedoso,
os olhos que revira quando canta.

Ele
é minha Carmem Miranda, e quando dorme, minha paisagem de contemplação.

E que adoração, concordamos, seja um sentimento exagerado. E que eu tente transformar numa piscina consciente o mar. O amado fala na segunda pessoa, e de onde venho isso é privilégio de Deus.

Meu amado é a selva,
o oceano, a poeira, a doença, a palavra.

Mais
que ele eu cuido a paixão.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

espíritos livres se chocam com duras verdades

No mundo do consumo.

Pois bem, eu tive inflamação no ciático. Antes disso, havia conquistado, com meu estilo de vida, problemas sérios nos joelhos, e mesmo assim treinava kung-fu de sapatilha (que tem mais jeito de figurino chinês). A batalha com meu senso estético durou uns 10 meses, até eu conseguir comprar um tênis* com amortecedor.

Abro a caixa. Comprei uma coisa esquisita, vou usar em casa pra me acostumar. Olho para o tênis: vou conseguir calçar isso? Dez minutos depois, saltando pela casa de tênis e roupão, não sei como vou conseguir usar chinelos de novo.

Um amigo, que pensa como eu, condescende: tecnologia é bom às vezes, né? E é que eu me toco: além de ser feio, é um calçado desenvolvimentista.

E combina com meus cabelos grisalhos. Daqui a um tempo, vai combinar também com meu primeiro agasalho amassadinho violeta. E daí?, o diabo canta**,

O que a vontade quiser,

quanto o corpo desejar,

tudo se faça;

zombai de quem vos quiser

reprender,

querendo-vos marteirar

tão de graça.

que eu, virtuosa, leixa-me!, e prossigo com as sandálias baixas que combinam com minhas roupas.

Nesse momento, elas estão no armário da academiaoutra mudança que o Ciático operou em minha vida. Eu, no chuveiro, formulo um conto (“a pele de miracle baby”) sobre uma vamp esporádica de recursos limitados. Ainda que tenha uma dúvida técnica, o conteúdo sobre o qual me debruço combina com o momento. Estou entre a forma elegante:

A semana toda, o hidratante esverdeado espesso como argamassa, mas, às sextas, Victoria’s Secret.

E usar a pontuação pra reforçar o efeito cômico:

Todo dia o hidratante esverdeado com a densidade da argamassa. Mas às sextas: Victoria’s Secret.

Sou uma natureza indomável que o famoso ensaio sobre reticências e passa dias com vontade de usá-las em todo tipo de teste.

Ainda com a mochila da academia, paro no sacolão. Tinha pegado cinco reais pra comprar batatas, mas topo antes com uvas pecaminosas. Pego uma linda bandeja. Talvez por influência da trilha sonora, meus dedos raspam o filme com vontade de rasgá-lo, derrubando e cheirando as uvas, evoé!, manchando todo o lugar.

Me joguei no chão

da sala de estar...

Depois de encher uma sacola de tubérculos, encontro outra variedade, alguma coisa como batata yoqui. Noto que deve ser um cultivo indígena durante muitos anos deixado de lado pela grande produção. Minha formação esquerdista logo vem à tona e agarro um exemplarconfesso que o menos sujo de terra – pensando “batata yoqui, patrimônio dos povos”. E com isso estou na fila do caixa.

Então lembro que estou com cinco reais, e devolvo a yoqui. Além disso, por que diabos peguei uma bandeja de uva, ao invés de fazer a colheita a granel? O mundo precisa de mais isopor? Mas um cálculo me detém: voltar para o final da fila?

Talvez esse ar calculista tenha me dado uma aparência distinta. Ou a mochila com maiô molhado, coisa do jet set. Ou é ? A caixa me deixa ir embora devendo 20 centavos. Coloco a bandeja de isopor na geladeira, e, antes de derramar a batata do sistema na pia, dou uma ajeitadinha no adesivo ecologista do azulejo.

* o tênis, por supressão = o par de tênis

** na minha cremação

Grande Sabrina! Mesmo quando escrevia sobre besteira, podia se sair com citações eruditas.

Não era nessas horas?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A: Tenho achado a obesidade vergonhosa, um nojo. Não consigo olhar para minha barriga.

B: Eu faço natação todos os dias.

A: Mas isso não é natural!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

tome isso, lévi-

Ora, digo, tomando suavemente de suas mãozinhas o grande pote de confetis: façamos uma troca. E entrego-lhe uma boneca que é sua.

Uma troca?, ela diz. E veste meu chapéu. Uma troca?, e pega meu Estruturas elementares do parentesco, avaliando a reação.

Pode ficar com ele por uns dois anos, digo, e estou com o pote de eme-emes colado ao rosto como um parceiro de bolero.

Uma troca?, desde a cozinha da casa da minha mãe, sua avó, ela rouba um, depois mais um bombom (o pote de confeitos, falei, é grande), e caminha até mim com as mãos estendidas.

Não é a maior prova de talento, penso, do dia. Mas certamente hereditário.

Aceito um bombom. O segundo, troco pelo meu chapéu.

(das redundâncias aleatórias (sem os grifos a que se referem))

Anotações a lápis no capítulo III, O universo das regras:

pode acessar a lei da cultura

aliança

dobradiça

Marcuse?

mulher [flecha flecha] porco

fartura [flecha flecha] amor

escassez (monogamia)/ abordagem que toca o contratualismo liberal

pigmeus

sábado, 17 de janeiro de 2009

putina comédia

Bochecha dá incomodação. Quando você é pequena, as tias apertam. Quando cresce um pouquinho, os primos apertam. Na segunda juventude, elas vêm acompanhadas de um bigode chinês.

Uma parte de mim não se incomodaria de transformar sua ambição em pontuar com essas falas os seriados da Rede Globo. Umas partes minoria de mim, mas parece que isso não é uma democracia. A expressãoprimeira juventude”, que eu saiba, é do Miguel Falabela.

Num outro horário:

Bochecha dá incomodação. Quando você é pequena, as tias apertam, como uma referência à sua bunda [faz gesto de cuti-cuti]. Quando cresce um pouquinho, os primos apertam, como uma referência à sua bunda. Na segunda juventude, elas vêm acompanhadas de um bigode chinês [vai continuar a frase, mas em tempo se detém].

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

discrição normativa


recebo um pps sobre a língua portuguesa:

- O certo é BASCULANTE e não VASCULHANTE, aquela janela do banheiro ou da cozinha.

não preciso nem falar que discordo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

grandes fora 2008


S: Daí eu fui atrás da mina, saquei meu celular e falei: dá teu telefone pra gente tomar um café. Ela põe a mão no meu braço e: eu mando por e-mail.

S e L dão uma gargalhada. F aguarda angelical.

F: Mas afinal, ela mandou ou não o telefone?

notícia feliz

Transexual paranaense consegue trocar de nome sem mudar de sexo

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


Senilidade é quando você não leva ninguém pra cama porque teria que limpar a casa antes.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

importante


é mesmo, esqueci do maikon k. musão ingrato esse. =(
acho que é porque ele dizia "você foi a última pessoa que vi chorando/ talvez a única no mundo", e isso sempre me fez pensar "ei, sou eu não".
eu já escrevi pra ele também, o palhaço europeu, mas não fiquei feliz. seja como for, temos mais trabalho para o pessoal abençoado pela fapesp.
é um poeta maravilhoso que não atende meus pedidos pra fazer um blog.
manda alguma coisa, chuchu, pra você ser duplamente lembrado agora.