quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

juntando palavras


No blog da Miriam Adelman, poeta e tradutora que além de tudo me orientou na graduação, um conto meu e um poema dela (para traduzir).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

vejem-me


Bem, postei aqui um *soneto* escrito pelo *N. Skare* *para a Sabrina* e ninguém se manifestou. Então digo, seus trouxas, que daqui a uns oitenta anos, quando o último volume da obra póstuma desse autor for publicada, alguém ganhará dinheiro por ter cavado poemas esparsos como aquele.
Daí, uma bolsista ociosa da Fapesp encontrará uma chance de angariar um artigo. Os artigos terão até lá um limite máximo de três páginas, e ela, gastando número igual de horas de escrita, vai explorar um tema inédito.

Musão: a produção poética em homenagem a Sabrina Lopes, 1994-2008.

Infelizmente, não poderá colocar aspas no em homenagem, porque nenhum dos poemas tem aquele chamego inflamado que tanto apreciamos eu e a bolsista que será paga para criticar o que não sou paga para produzir. Conta-se nos cabelos do Cebolinha o saldo desses catorze anos, que se inauguram com
um poema adolescente do Cleber Braga que eu, por amizade, não vou publicar, e incluem
um do Alessandro, que não vou publicar,
outro, que o autor colocou dedicatória na internet e depois trocou, na publicação de papel, para uma referência mais ilustre,
e só mais um, do Blau, por quem não tenho amizade. Provavelmente o único texto de ambição literária que produziu, em tremendas letras de fôrma, e que não sem algum atrevimento, contar-nos-á a bolsista da Fapesp, Lopes admitiu estimar.

VOCÊ PESSOA
ME DEIXOU À TOA
PERDIDO NO MEIO DA LAGOA

EU ERA UMA CARAVELA

Estará ali, no Musão, referência bibliográfica produzida nas férias, que nos meus dezoito fui comparada a Pessoa. O que é mera falta de vírgula (Renata respira aliviada) e faz lembrar,

se estou prolixa hoje?,

a caixa da pizzaria D’João:

Jovem ame você não use drogas.

O que sempre me leva a pegar uma caneta, e por tanto minha família já decorou a pontuação correta & profissionalmente revisada:

Jovem, ame você não: use drogas.

E para terminar no tom pessimista que nos tem caracterizado desde outubro, deixo essa frase na função de mensagem de fim de ano. Digo mais, fitando vossa pele bronzeada, quando da volta de vossa temporada de esqui.

posto enquanto esquiam


Dei para meus pais (compre, compre, compre, compre é um gesto que costumo imitar manejando uma H. K.i.t.t.y., essa prostituta do capital) uma George Foreman Fat Reducing Grilling Machine. Eles estão usando como sanduicheira, porque minha mãe não quer sujar.

Dei um biquíni para minha irmã, que pretende usá-lo quando viajar para a praia. Em junho, ou julho.

Dei para a Gabizinha O livro das garotas audaciosas. Ela, que admitamos nunca foi incentivada em seus talentos de marcenaria, teve a seguinte reação: anotou, em sua agenda, como primeiro item do dia seguinte, “ler o livro”. Colou, tendo uma fita e minha ajuda, um marcador de página na encadernação, e depois, pelas minhas costas, um grande adesivo da odiosa Polly em sua ponta solta. Ao me ver lendo sobre a vida das princesas contemporâneas, pediu que eu marcasse aquela página para consultar depois.

Mas todos gostaram muito muito. Eu também, uma novela escrita por um amigo (que se fosse um inimigo teria me deixado furiosa, porque é digna de amor e ficou pronta em grrr, digo uhu, três semanas), um livro de receitas, incluindo uma que a Gabizinha pode fazer, e crônicas e belas ilustrações, uma gorjeta, um hidratante, um sabonete e uma sandália que terei que “fazer o pé”.

Que nem bofetadas, os três últimos soam uma década cada (contra o gongo de meu rosto envelhecido, para quem não entendeu). Mas o tripenúltimo os redime – existe uma idade-limite para as gorjetas, certo? Não deve ser 30, rá. Note-se que li os livros e tomei banho imediatamente, então a única dádiva que tratei do jeito Lopes foi a sandália.

Tá, gastei o dinheiro no supermercado, o que também foi meio Lopes.

E fazia muitos anos que não contava os meus presentes de Natal. Como vocês vêem (ai, circunflexo, faz mais uma vez comigo), Jesus não merece que eu dê presentes para os meus amigos, ainda que eu mereça recebê-los.

*

Eu planejo três anos para uma novela, mas aconteceu esses dias de chamar um táxi e não lembrar o número do meu prédio, o que parece uma daquelas anedotas sobre Einstein, de modo que devo ser, sim, eu devo ser o gênio por aqui, o gênio que é ainda jovem, Alvise meu caro.

imagine só, chuchuuuu beleza...

“A comissão ficou bem satisfeita”, comenta. Para ele algumas características puderam ser notadas entre os contos concorrentes. Entre elas estava o fato de não existir mais uma literatura regionalista; também não foram apresentadas contos engajados, no sentido político partidário; nada de realismo mágico e tampouco mini contos.

Só mais um ressentimento: já notaram que eles gostam de dizer o nome dos escritores ilustres que já se inscreveram para o concurso? Nunca o dos que ganharam? Cinco mil reais?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

sua sorte pra 2009


NO: Esse cenário já evaporou, não tem mais a menor consistência. Eu entendo que o ministro seja otimista, afinal, quer garantir o emprego dele, mas é uma atitude absolutamente irresponsável.

As empresas brasileiras estão altamente endividadas, apostaram em especulação cambial, perderam no mínimo 60, 70 bilhões de dólares e precisam resgatar suas dívidas entre seis meses e um ano. Essa abertura da conta de capitais, que permite aos empresários exportadores deixarem o dinheiro lá fora por até 180 dias, quando antes eram 360, transformou o capital produtivo exportador em especulador, como os bancos. E essa gente não tem crédito no exterior, pois este está muito caro.

Por outro lado, o BNDES e o governo estão fechados e não pretendem ser um cemitério de empresas. Portanto, os empresários vão fazer um ataque especulativo contra a moeda para pegarem aqueles 200 bilhões de reservas, que podem desaparecer num espaço de 18, 20 dias, não tenho a menor dúvida - desapareceram 70 bilhões em apenas uma semana.

As reservas são baixas e incapazes de enfrentar o ataque especulativo, um recurso que os empresários usarão. E ainda colocarão o Brasil na linha de um novo processo de endividamento estatal sob monitoramento do FMI. É o que está sendo preparado. O ataque especulativo está na ordem do dia. As medidas para controlar câmbio, fechar a conta de capitais etc. são absolutamente tímidas. Não existem!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

sábado, 20 de dezembro de 2008

supercupido da paixão e do êxtase sexual


(como me chamou FL)

S: Ah, e tem também a Fulana. Ela tá solteira... é hetero...
N: Pare, por favor. Com tantos atributos, corre o risco de eu me apaixonar.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

deputados cristãos querem barrar transgenitalização


“Não é uma cirurgia plástica corretiva ou estética, mas uma questão identitária fundamental”, afirma a socióloga, tendo em vista que os possíveis beneficiados pelo procedimento não se reconhecem no próprio corpo, o que não raro implica em tentativas de suicídio e rejeição.


Sentada com um escritor. Todo mundo é gay até prova em contrário.
Escritor/editor: Quando fiz a coletânea de escritoras, um crítico insinuou que eu tinha comido pelo menos a metade.
Feminista: Hahahaha!
Escritor/editor: Pra ele só se justifica assim. Depois fiz outra coletânea, de escritos homoeróticos. Daí, outro crítico quis dizer que eu era homossexual!
Feminista: Ahn...
Escritor/editor: ...
Feminista: Que merda, hein!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Malu passou a tarde preparando sua exposição. Desenhos na parede, ela (4 anos) brinca da atividade do tio Zé (33! O tempo, hein?). O pai faz algum comentário, que minha informante não consegue ouvir. A resposta:
M: É que você não sabe o que é arte!
Mais tarde, ela explica uma coisinha para o tio Zé.
M: Quando eu fizer a minha exposição, vou ficar na porta, dizendo: Entrem! Bem-vindos! Entrem! Comprem meus livros. Comprem meus desenhos!

Duro, a essa altura da vida, a gente ter que repensar a arte.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

aqui mesmo


– No céu tem um monte de preás. Preás gordas, enormes! Já no inferno tem um monte de cadelas espertas, com os dentes afiados.
– E no purgatório?
– Você fica sempre em dúvida se é preá, se é cadela.
– Nem. Acho que esse que é o inferno.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008


Minha irmã: E ninguém nunca ficou sabendo se a Capitu tinha mesmo traído o Bento.
Gabizinha: Isso é porque ninguém leu esse livro até o final!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

tragédia a seu tempo


Y: Até os gatos percebem que não tem nada vivo no espelho.
Z: Nem pra fazer assim, depois assim!
X: Caralho, como era BUrro!
Y: Narciso, aquela bichõna!
Z: Mas ele teve uma namorada, a Eco.
X: Ah, é?
Z: Ela tinha sido amaldiçoada, e não podia mais falar o que pensava. Só conseguia repetir o que os outros falavam. Daí, se apaixonou pelo Narciso, mas ele ficou de saco cheio porque ela só repetia.
X: Que deviam ser coisas burras.
Z: Pelo menos não é que nem outros homens, que esperam que as namoradas repitam.
Curto silêncio. Y toma um gole de cerveja e faz um ar reflexivo.
Y: Bichoona!
X: Ele era pelo menos bissexual.

lei ortográfica


O horror do revisor é que acostuma achar erro de português, se apega. Acha estranho um texto que não tem.
Se o autor é da Gramática, o revisor teme que tá deixando passar um monte de erro. Agora, com o acordo ortográfico, alegraremos novamente as páginas num vermelho repressor.
Ser da Gramática é como ser de Deus.
Se o revisor é de esquerda, sabe que esse é um código das elites.
Começa para si a escrever inadequado gramaticalmente, tudo de propósito. Mas que nem um pastor descrente que não quer ser desacreditado: depende pra quem o e-mail.

Toda essa reclamação é porque sempre me perguntam, e a razão é uma só: dar aula?

sábado, 13 de dezembro de 2008

como uma deusa


- Não dá pra ter espelho na frente da privada.
- Por quê? Vergonha?
- É que eu fico me olhando, e quando vejo fui pra frente e mijei fora do vaso.
- Ah, ela se adora!
- ...
- Tipo Narciso então?
- É, só que em vez de morrer eu levo um respingo de mijo na perna.

Aconteceu - 11/12/2008 21h10

Mulheres pedem que CPI do Aborto não seja instalada

Integrantes da bancada feminina da Câmara e de movimentos sociais pediram nesta quinta-feira, ao presidente Arlindo Chinaglia, que a comissão parlamentar de inquérito sobre o aborto clandestino no Brasil não seja instalada.

Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), incriminar as mulheres que precisam recorrer ao aborto não vai resolver o problema. "Esse tema não deve ser tratado como um caso de CPI, e sim de saúde. Nenhuma atitude policial contra as mulheres resolve essa questão, especialmente no caso daquelas que estão perdendo a vida e que, no desespero, encontram uma circunstância para a sua vida. Chega apenas de julgar e de não estender a mão", argumentou.

Já um dos autores do pedido de criação da CPI, deputado Miguel Martini (PHS-MG), rebate o argumento de que a investigação vai prejudicar as mulheres. "É o contrário. Estamos protegendo as mulheres. Qualquer aborto, mesmo com o maior cuidado, provoca um trauma irreversível, nos aspectos físico e psíquico. Portanto, quem praticar tem de ser punido. A vida é um bem supremo que só Deus dá e pode tirar", argumentou.

Mato Grosso do Sul
Segundo a diretora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, Guacira de Oliveira, a CPI vai expor mulheres que precisaram recorrer ao aborto. Ela afirmou que isso já vem ocorrendo no Mato Grosso do Sul, onde milhares de mulheres registradas numa clínica de aborto clandestino poderão ser condenadas à prisão.

"Dez mil mulheres foram indiciadas; 1,2 mil sofrem processos judiciais, acusadas de aborto, sem sequer direito a habeas corpus e a serem ouvidas. Criminalizando as mulheres não vamos avançar no respeito aos direitos humanos", disse.

Estratégia
De acordo com a deputada Rita Camata (PMDB-ES), o Parlamento deve contribuir para a questão buscando medidas que ampliem o acesso às políticas de planejamento familiar. "Não podemos legislar dentro de uma visão religiosa, moralista, mas sim pensando em inclusão social", ressaltou.

Segundo ela, a bancada feminina terá uma estratégia para barrar a CPI em fevereiro, quando recomeçam os trabalhos da Câmara.

Preocupação
Arlindo Chinaglia disse que, como parlamentar, se preocupa com os resultados, na vida de mulheres, do trabalho da CPI: "É evidente que uma CPI tem um caráter de investigação que pode chegar a questões pessoais, de forma rigorosamente indevida."

Porém, ele lembrou que, como presidente, precisa cumprir o Regimento Interno da Câmara. "Por parte da Mesa Diretora, é nosso dever cumprir as regras. Os requisitos para a instalação de uma CPI são o número de assinaturas necessárias e um fato determinado. Isso é analisado pela assessoria técnica da Casa", observou.

O pedido de abertura da CPI contou com 210 assinaturas, 39 a mais que o mínimo necessário. A CPI deverá investigar o comércio clandestino de substâncias abortivas e prática do aborto.

Reportagem - Alexandre Pôrto/Rádio Câmara
Edição - João Pitella Junior

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')

Agência Câmara
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E-mail:agencia@camara.gov.br

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008



Debate: Acordo Brasil-Vaticano: a que propósito?

O Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ promove no dia 11 de dezembro, às 17h, o debate "Acordo Brasil-Vaticano: a que propósito?", na sala 420 do IFCS/UFRJ. O encontro pretende debater a proposta de acordo entre o Estado brasileiro e a Santa Sé, apresentada em 13 de novembro de 2008, que trata de uma série de aspectos jurídicos da existência e atuação da Igreja Católica no Brasil.

O evento contará com a presença dos seguintes expositores:

  • Luiz Antonio Cunha (sociólogo, Observatório da Laicidade do Estado, vinculado ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos, CFCH, UFRJ)
  • Daniela Trejos Vargas (Doutora em Direito Civil pela UERJ, professora de Direito Civil e de Direito Internacional Privado da PUC-Rio)
  • Emerson Giumbelli (antrópologo, professor do Programa de Pos-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ)
  • Fábio Carvalho Leite (doutorando em Direito Público pela UERJ, professor de Direito Constitucional da PUC-Rio)
Mais informações: 2224-8965, ramal 4.
Organização: Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia
Apoio: ISER (Instituto de Estudos da Religião)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

http://ldopaeditora.wordpress.com/


Meu pai: A gente tem obrigação de apoiar o Guga. Ele divulgou muito nossa banana lá fora.