quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

juntando palavras


No blog da Miriam Adelman, poeta e tradutora que além de tudo me orientou na graduação, um conto meu e um poema dela (para traduzir).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

vejem-me


Bem, postei aqui um *soneto* escrito pelo *N. Skare* *para a Sabrina* e ninguém se manifestou. Então digo, seus trouxas, que daqui a uns oitenta anos, quando o último volume da obra póstuma desse autor for publicada, alguém ganhará dinheiro por ter cavado poemas esparsos como aquele.
Daí, uma bolsista ociosa da Fapesp encontrará uma chance de angariar um artigo. Os artigos terão até lá um limite máximo de três páginas, e ela, gastando número igual de horas de escrita, vai explorar um tema inédito.

Musão: a produção poética em homenagem a Sabrina Lopes, 1994-2008.

Infelizmente, não poderá colocar aspas no em homenagem, porque nenhum dos poemas tem aquele chamego inflamado que tanto apreciamos eu e a bolsista que será paga para criticar o que não sou paga para produzir. Conta-se nos cabelos do Cebolinha o saldo desses catorze anos, que se inauguram com
um poema adolescente do Cleber Braga que eu, por amizade, não vou publicar, e incluem
um do Alessandro, que não vou publicar,
outro, que o autor colocou dedicatória na internet e depois trocou, na publicação de papel, para uma referência mais ilustre,
e só mais um, do Blau, por quem não tenho amizade. Provavelmente o único texto de ambição literária que produziu, em tremendas letras de fôrma, e que não sem algum atrevimento, contar-nos-á a bolsista da Fapesp, Lopes admitiu estimar.

VOCÊ PESSOA
ME DEIXOU À TOA
PERDIDO NO MEIO DA LAGOA

EU ERA UMA CARAVELA

Estará ali, no Musão, referência bibliográfica produzida nas férias, que nos meus dezoito fui comparada a Pessoa. O que é mera falta de vírgula (Renata respira aliviada) e faz lembrar,

se estou prolixa hoje?,

a caixa da pizzaria D’João:

Jovem ame você não use drogas.

O que sempre me leva a pegar uma caneta, e por tanto minha família já decorou a pontuação correta & profissionalmente revisada:

Jovem, ame você não: use drogas.

E para terminar no tom pessimista que nos tem caracterizado desde outubro, deixo essa frase na função de mensagem de fim de ano. Digo mais, fitando vossa pele bronzeada, quando da volta de vossa temporada de esqui.

posto enquanto esquiam


Dei para meus pais (compre, compre, compre, compre é um gesto que costumo imitar manejando uma H. K.i.t.t.y., essa prostituta do capital) uma George Foreman Fat Reducing Grilling Machine. Eles estão usando como sanduicheira, porque minha mãe não quer sujar.

Dei um biquíni para minha irmã, que pretende usá-lo quando viajar para a praia. Em junho, ou julho.

Dei para a Gabizinha O livro das garotas audaciosas. Ela, que admitamos nunca foi incentivada em seus talentos de marcenaria, teve a seguinte reação: anotou, em sua agenda, como primeiro item do dia seguinte, “ler o livro”. Colou, tendo uma fita e minha ajuda, um marcador de página na encadernação, e depois, pelas minhas costas, um grande adesivo da odiosa Polly em sua ponta solta. Ao me ver lendo sobre a vida das princesas contemporâneas, pediu que eu marcasse aquela página para consultar depois.

Mas todos gostaram muito muito. Eu também, uma novela escrita por um amigo (que se fosse um inimigo teria me deixado furiosa, porque é digna de amor e ficou pronta em grrr, digo uhu, três semanas), um livro de receitas, incluindo uma que a Gabizinha pode fazer, e crônicas e belas ilustrações, uma gorjeta, um hidratante, um sabonete e uma sandália que terei que “fazer o pé”.

Que nem bofetadas, os três últimos soam uma década cada (contra o gongo de meu rosto envelhecido, para quem não entendeu). Mas o tripenúltimo os redime – existe uma idade-limite para as gorjetas, certo? Não deve ser 30, rá. Note-se que li os livros e tomei banho imediatamente, então a única dádiva que tratei do jeito Lopes foi a sandália.

Tá, gastei o dinheiro no supermercado, o que também foi meio Lopes.

E fazia muitos anos que não contava os meus presentes de Natal. Como vocês vêem (ai, circunflexo, faz mais uma vez comigo), Jesus não merece que eu dê presentes para os meus amigos, ainda que eu mereça recebê-los.

*

Eu planejo três anos para uma novela, mas aconteceu esses dias de chamar um táxi e não lembrar o número do meu prédio, o que parece uma daquelas anedotas sobre Einstein, de modo que devo ser, sim, eu devo ser o gênio por aqui, o gênio que é ainda jovem, Alvise meu caro.

imagine só, chuchuuuu beleza...

“A comissão ficou bem satisfeita”, comenta. Para ele algumas características puderam ser notadas entre os contos concorrentes. Entre elas estava o fato de não existir mais uma literatura regionalista; também não foram apresentadas contos engajados, no sentido político partidário; nada de realismo mágico e tampouco mini contos.

Só mais um ressentimento: já notaram que eles gostam de dizer o nome dos escritores ilustres que já se inscreveram para o concurso? Nunca o dos que ganharam? Cinco mil reais?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

sua sorte pra 2009


NO: Esse cenário já evaporou, não tem mais a menor consistência. Eu entendo que o ministro seja otimista, afinal, quer garantir o emprego dele, mas é uma atitude absolutamente irresponsável.

As empresas brasileiras estão altamente endividadas, apostaram em especulação cambial, perderam no mínimo 60, 70 bilhões de dólares e precisam resgatar suas dívidas entre seis meses e um ano. Essa abertura da conta de capitais, que permite aos empresários exportadores deixarem o dinheiro lá fora por até 180 dias, quando antes eram 360, transformou o capital produtivo exportador em especulador, como os bancos. E essa gente não tem crédito no exterior, pois este está muito caro.

Por outro lado, o BNDES e o governo estão fechados e não pretendem ser um cemitério de empresas. Portanto, os empresários vão fazer um ataque especulativo contra a moeda para pegarem aqueles 200 bilhões de reservas, que podem desaparecer num espaço de 18, 20 dias, não tenho a menor dúvida - desapareceram 70 bilhões em apenas uma semana.

As reservas são baixas e incapazes de enfrentar o ataque especulativo, um recurso que os empresários usarão. E ainda colocarão o Brasil na linha de um novo processo de endividamento estatal sob monitoramento do FMI. É o que está sendo preparado. O ataque especulativo está na ordem do dia. As medidas para controlar câmbio, fechar a conta de capitais etc. são absolutamente tímidas. Não existem!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

sábado, 20 de dezembro de 2008

supercupido da paixão e do êxtase sexual


(como me chamou FL)

S: Ah, e tem também a Fulana. Ela tá solteira... é hetero...
N: Pare, por favor. Com tantos atributos, corre o risco de eu me apaixonar.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

deputados cristãos querem barrar transgenitalização


“Não é uma cirurgia plástica corretiva ou estética, mas uma questão identitária fundamental”, afirma a socióloga, tendo em vista que os possíveis beneficiados pelo procedimento não se reconhecem no próprio corpo, o que não raro implica em tentativas de suicídio e rejeição.


Sentada com um escritor. Todo mundo é gay até prova em contrário.
Escritor/editor: Quando fiz a coletânea de escritoras, um crítico insinuou que eu tinha comido pelo menos a metade.
Feminista: Hahahaha!
Escritor/editor: Pra ele só se justifica assim. Depois fiz outra coletânea, de escritos homoeróticos. Daí, outro crítico quis dizer que eu era homossexual!
Feminista: Ahn...
Escritor/editor: ...
Feminista: Que merda, hein!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Malu passou a tarde preparando sua exposição. Desenhos na parede, ela (4 anos) brinca da atividade do tio Zé (33! O tempo, hein?). O pai faz algum comentário, que minha informante não consegue ouvir. A resposta:
M: É que você não sabe o que é arte!
Mais tarde, ela explica uma coisinha para o tio Zé.
M: Quando eu fizer a minha exposição, vou ficar na porta, dizendo: Entrem! Bem-vindos! Entrem! Comprem meus livros. Comprem meus desenhos!

Duro, a essa altura da vida, a gente ter que repensar a arte.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

aqui mesmo


– No céu tem um monte de preás. Preás gordas, enormes! Já no inferno tem um monte de cadelas espertas, com os dentes afiados.
– E no purgatório?
– Você fica sempre em dúvida se é preá, se é cadela.
– Nem. Acho que esse que é o inferno.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008


Minha irmã: E ninguém nunca ficou sabendo se a Capitu tinha mesmo traído o Bento.
Gabizinha: Isso é porque ninguém leu esse livro até o final!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

tragédia a seu tempo


Y: Até os gatos percebem que não tem nada vivo no espelho.
Z: Nem pra fazer assim, depois assim!
X: Caralho, como era BUrro!
Y: Narciso, aquela bichõna!
Z: Mas ele teve uma namorada, a Eco.
X: Ah, é?
Z: Ela tinha sido amaldiçoada, e não podia mais falar o que pensava. Só conseguia repetir o que os outros falavam. Daí, se apaixonou pelo Narciso, mas ele ficou de saco cheio porque ela só repetia.
X: Que deviam ser coisas burras.
Z: Pelo menos não é que nem outros homens, que esperam que as namoradas repitam.
Curto silêncio. Y toma um gole de cerveja e faz um ar reflexivo.
Y: Bichoona!
X: Ele era pelo menos bissexual.

lei ortográfica


O horror do revisor é que acostuma achar erro de português, se apega. Acha estranho um texto que não tem.
Se o autor é da Gramática, o revisor teme que tá deixando passar um monte de erro. Agora, com o acordo ortográfico, alegraremos novamente as páginas num vermelho repressor.
Ser da Gramática é como ser de Deus.
Se o revisor é de esquerda, sabe que esse é um código das elites.
Começa para si a escrever inadequado gramaticalmente, tudo de propósito. Mas que nem um pastor descrente que não quer ser desacreditado: depende pra quem o e-mail.

Toda essa reclamação é porque sempre me perguntam, e a razão é uma só: dar aula?

sábado, 13 de dezembro de 2008

como uma deusa


- Não dá pra ter espelho na frente da privada.
- Por quê? Vergonha?
- É que eu fico me olhando, e quando vejo fui pra frente e mijei fora do vaso.
- Ah, ela se adora!
- ...
- Tipo Narciso então?
- É, só que em vez de morrer eu levo um respingo de mijo na perna.

Aconteceu - 11/12/2008 21h10

Mulheres pedem que CPI do Aborto não seja instalada

Integrantes da bancada feminina da Câmara e de movimentos sociais pediram nesta quinta-feira, ao presidente Arlindo Chinaglia, que a comissão parlamentar de inquérito sobre o aborto clandestino no Brasil não seja instalada.

Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), incriminar as mulheres que precisam recorrer ao aborto não vai resolver o problema. "Esse tema não deve ser tratado como um caso de CPI, e sim de saúde. Nenhuma atitude policial contra as mulheres resolve essa questão, especialmente no caso daquelas que estão perdendo a vida e que, no desespero, encontram uma circunstância para a sua vida. Chega apenas de julgar e de não estender a mão", argumentou.

Já um dos autores do pedido de criação da CPI, deputado Miguel Martini (PHS-MG), rebate o argumento de que a investigação vai prejudicar as mulheres. "É o contrário. Estamos protegendo as mulheres. Qualquer aborto, mesmo com o maior cuidado, provoca um trauma irreversível, nos aspectos físico e psíquico. Portanto, quem praticar tem de ser punido. A vida é um bem supremo que só Deus dá e pode tirar", argumentou.

Mato Grosso do Sul
Segundo a diretora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, Guacira de Oliveira, a CPI vai expor mulheres que precisaram recorrer ao aborto. Ela afirmou que isso já vem ocorrendo no Mato Grosso do Sul, onde milhares de mulheres registradas numa clínica de aborto clandestino poderão ser condenadas à prisão.

"Dez mil mulheres foram indiciadas; 1,2 mil sofrem processos judiciais, acusadas de aborto, sem sequer direito a habeas corpus e a serem ouvidas. Criminalizando as mulheres não vamos avançar no respeito aos direitos humanos", disse.

Estratégia
De acordo com a deputada Rita Camata (PMDB-ES), o Parlamento deve contribuir para a questão buscando medidas que ampliem o acesso às políticas de planejamento familiar. "Não podemos legislar dentro de uma visão religiosa, moralista, mas sim pensando em inclusão social", ressaltou.

Segundo ela, a bancada feminina terá uma estratégia para barrar a CPI em fevereiro, quando recomeçam os trabalhos da Câmara.

Preocupação
Arlindo Chinaglia disse que, como parlamentar, se preocupa com os resultados, na vida de mulheres, do trabalho da CPI: "É evidente que uma CPI tem um caráter de investigação que pode chegar a questões pessoais, de forma rigorosamente indevida."

Porém, ele lembrou que, como presidente, precisa cumprir o Regimento Interno da Câmara. "Por parte da Mesa Diretora, é nosso dever cumprir as regras. Os requisitos para a instalação de uma CPI são o número de assinaturas necessárias e um fato determinado. Isso é analisado pela assessoria técnica da Casa", observou.

O pedido de abertura da CPI contou com 210 assinaturas, 39 a mais que o mínimo necessário. A CPI deverá investigar o comércio clandestino de substâncias abortivas e prática do aborto.

Reportagem - Alexandre Pôrto/Rádio Câmara
Edição - João Pitella Junior

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')

Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br

http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=129842

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008



Debate: Acordo Brasil-Vaticano: a que propósito?

O Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ promove no dia 11 de dezembro, às 17h, o debate "Acordo Brasil-Vaticano: a que propósito?", na sala 420 do IFCS/UFRJ. O encontro pretende debater a proposta de acordo entre o Estado brasileiro e a Santa Sé, apresentada em 13 de novembro de 2008, que trata de uma série de aspectos jurídicos da existência e atuação da Igreja Católica no Brasil.

O evento contará com a presença dos seguintes expositores:

  • Luiz Antonio Cunha (sociólogo, Observatório da Laicidade do Estado, vinculado ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos, CFCH, UFRJ)
  • Daniela Trejos Vargas (Doutora em Direito Civil pela UERJ, professora de Direito Civil e de Direito Internacional Privado da PUC-Rio)
  • Emerson Giumbelli (antrópologo, professor do Programa de Pos-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ)
  • Fábio Carvalho Leite (doutorando em Direito Público pela UERJ, professor de Direito Constitucional da PUC-Rio)
Mais informações: 2224-8965, ramal 4.
Organização: Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia
Apoio: ISER (Instituto de Estudos da Religião)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

http://ldopaeditora.wordpress.com/


Meu pai: A gente tem obrigação de apoiar o Guga. Ele divulgou muito nossa banana lá fora.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

viagem pelos lugares da alemanha

Da mostra do José Aguiar no Goethe Institut (Rua Reinaldino S. de Quadros,33), até o final de janeiro.

domingo, 23 de novembro de 2008

ATO EM SOLIDARIEDADE ÀS MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL E DOMÉSTICA EM CURITIBA

CONVITE PARA ATO DE VIGÍLIA

Compareça à vigília na Praça Tiradentes, em frente à Catedral, dia 25/11, das 18 às 22 horas.

Leve uma vela, vista uma roupa branca, coloque uma tarja preta no braço, leve um cartaz ou faixa de protesto. Contamos com você nesta manifestação.

As entidades do movimento social, movimento feminista e de mulheres abaixo enumeradas vêm a público convocar toda a população curitibana para um ATO PÚBLICO EM REPÚDIO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES no 25 de novembro de 2008. Nesta data, mulheres do mundo inteiro realizam atos e manifestações contra a violência doméstica, familiar e sexual.

O silêncio é cúmplice da violência e pai da impunidade. Por isso mesmo, é fundamental que nós, mulheres, levantemos nossa voz para denunciar a violência contra a mulher que ainda ocorre em silêncio em tantos lares e no conjunto da sociedade.

Não isentaremos mais o Estado da responsabilidade pelos "crimes passionais" e muito menos aceitaremos a desculpa vaga do aspecto "cultural". Sabemos que a cultura, porque é resultado da ação humana em sociedade, também pode ser mudada. A sociedade inteira é chamada a rejeitar esses atos de violência, e para isso, tem que transformar a educação e a inércia social que ainda legitimam o "machismo cultural".

Estudos apontam que uma mulher é espancada a cada 15 segundos no Brasil e ao menos 33% das mulheres já sofreram algum tipo de violência física.

Em Curitiba em média 4 mulheres são assassinadas por mês e no Paraná, excluindo a capital, mais 16 mulheres morrem vítimas de agressão por mês.

Por RACHEL, por LAVÍNIA, recentemente assassinadas em Curitiba... por nossas filhas, irmãs, mães, tias, avós, cunhadas... por nós, vamos realizar um grande protesto público, vamos manifestar nosso repúdio a toda forma de violência contra as mulheres e contra as meninas!

Pelo direito a uma vida sem violência!

Pela implementação da Lei Maria da Penha!

Convidam:

Rede Feminista de Saúde - Regional Paraná, APP-Sindicato, Marcha Mundial das Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileiras, ABENFO/PR, Fórum Popular de Mulheres, Rede Mulheres Negras/PR, União Brasileira de Mulheres - UBM/PR, Comitê de Luta pela Legalização do Aborto, CEFÚRIA, CRESS-PR, CASLA, CMS, CEPAT, CUT/PR, IDHEA, Mandato Vereadora Josete, SEEB Curitiba, FETEC, Secretaria de Mulheres do PCdoB/PR, Transgrupo Marcela Prado, Artemis, SISMMAC - Sindicato do Magistério Municipal de Curitiba, SISMUC - Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba, OAB – Ordem dos advogados do Brasil- Seção do PR. SindSaúde/PR.

http://legalizaroaborto.blogspot.com

terça-feira, 18 de novembro de 2008

logo, pensa


um sonho sobre ciência não precisaria ser um non sequitur (há tantos anos esperava para usar a expressão em latim, que perdeu a graça colocar itálico).
pois eu fazia uma experiência com um sapo.
– dá o pé, loro!
se ele estendesse sua perna, provava ser irracional. senão, um sapo perfeitamente consciente, imbuído de subjetividade e domínio da linguagem, que saberia empiricamente não ser um papagaio.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

homens pelo fim da violência

Homens unidos no combate à violência contra a mulher
A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) colocou no ar, na última sexta-feira (31), o site www.homenspelofimdaviolencia.com.br, que faz parte da campanha nacional “Homens unidos pelo fim da violência contra as Mulheres”. Trata-se de uma ferramenta eletrônica de coleta de assinaturas. Pela primeira vez, uma campanha mundial e nacional relativa à violência de gênero tem o foco nos homens. A justificativa para isso é que a violência contra a mulher é um fenômeno que atinge toda a sociedade. A iniciativa é uma resposta do Estado brasileiro à convocação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que lançou a campanha mundial “Unite to End Violence Against Women”, em fevereiro deste ano, para mobilizar líderes nacionais pelo fim da violência contra as mulheres. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2005, revelam que a violência contra a mulher é responsável por índices expressivos de absenteísmo ao trabalho, pelo crescimento da Aids entre a população feminina e pelo baixo aproveitamento escolar de crianças que a presenciam. Para a ministra da SPM, Nilcéa Freire, o enfrentamento da violência só será possível com a participação de toda a sociedade, inclusive dos homens. O objetivo da campanha nacional é a mobilização dos homens pelo fim da violência contra as mulheres no País. Participam dela, líderes de todos os setores da sociedade brasileira como o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes do Supremo Tribunal de Justiça, Gilmar Mendes, do Congresso Nacional, Garibaldi Alves, e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, o ex-jogador da seleção brasileira de futebol Raí, entre outros. Ao aderirem à campanha, por meio da coleta assinaturas, os homens se comprometem publicamente a contribuir pela implementação integral da Lei Maria da Penha (11.340/06) e pela efetivação de políticas públicas que visam o fim da violência contra as mulheres. As assinaturas serão incorporadas à ação mundial. Essa campanha conta com a parceria do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Instituto Papai, do Instituto Promundo e da Agende - Ações em Gênero e Cidadania.Campanha mundial - A campanha “Unite to End Violence Against Women” tem como meta mobilizar a opinião pública e os órgãos de decisão em nível mundial para o enfrentamento da violência contra a mulher. Ela dura até 2015 e coincide com a execução dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Sua atuação é em três frentes: na promoção de ações em nível global, na priorização de programas em prol das mulheres dentro das Nações Unidas e no estímulo de colaborações com governos e entidades nacionais.

terça-feira, 4 de novembro de 2008


Eu sempre tive horror a escritórios. Talvez já tenha escrito sobre isso. Mais uma vez, chego ao prédio tendo esquecido o celular em casa. O filtro solar com hidratante reluz em meu rosto descansado, sujo de pressa. Cumprimento a linda e esperta recepcionista com muita atenção, que a vida lhe seja leve, e declamo o número do RG. Ela me dá um cartão.
Logo perco a atenção e quando falo “bom dia”, é tão resmungado que parece “bundinha”, já na quarta pessoa. E os demais me agradecem, e eu, “imagina”, “vagina”. Queria mais ter a boca suja e um coração de criança.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

lamentável


2008 vai acabar e minha maior descoberta foi a napa que imita couro.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008


S: Então ele fez uma coisa que eu detesto quando os clientes fazem. Eles compram uma garrafa de vodka, daí uma citrus, e vão despejando de um copo a outro.
S’: Molha o balcão inteiro.
S: É! Daí eu falei: Olha só a sujeira que você fez! Ele pediu outra latinha, e eu disse: se você fizer sujeira de novo, eu recolho a garrafa e recolho a latinha. E ele: Ih, derramou um pouco. Então eu peguei a garrafa e a latinha, e disse: não vou mais deixar com você. E essa meleca aí, você fez, você convive com ela; eu não vou limpar.
S’: ...
S [abre os braços]: Pronto! Se apaixonou!

desfile nômade na feira vegetariana


A Praça 29 de Março, localizada no bairro Mercês, será passarela para um desfile de moda no dia 1º de novembro de 2008. Durante a reedição da Feira Vegetariana de Curitiba, promovida pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), a Nomade Multidimensional realizará o lançamento da marca e apresentará a primeira linha desenvolvida no projeto. O desfile, que terá seu início às 11h, será aberto ao público.A proposta da linha da curitibana Nomade.mtd é produzir roupas originais a partir da reutilização e mescla de materiais usados e novos. O trabalho artístico e a matéria-prima envolvidos no processo de confecção fazem com que cada peça seja autentica e única. A Nomade.mtd propõe o descobrimento e fortalecimento da identidade e singularidade, desvinculando-se da separação costumeira das tribos.A linha Gororoba Roupas Recicladas tem como forte característica a mistura de texturas, cores, cortes, formas, estampas e os mais diversos signos. Criada pela artista-costureira Renata Luciana, a Nomade Multidimensional produz utilizando-se da reciclagem de roupas – o que representa uma redução da produção e consumo.SERVIÇO:Data: 01/11/08 - Sábado Horário: das 11h às 12hLocal: Praça 29 de Março, Mercês, Curitiba, Paraná Informações: 41 9113 75 28/ nomade.mtd@gmail.com

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

não me obrigue a sofrer!

A campanha pelo direito de interromper a gravidez de feto sem cérebro ainda está recolhendo assinaturas.

Neste vídeo, um médico explica as implicações para a saúde desse tipo de gravidez.

Saiba mais no link abaixo: To: Supremo Tribunal Federal NÃO ME OBRIGUE A SOFRER Campanha pelo direito à interrupção da gestação em caso de anencefalia A anencefalia é uma má-formação incompatível com a vida. No Brasil, as mulheres grávidas de fetos com anencefalia são obrigadas a manter a gestação para enterrar o feto, instantes após o parto. Quase todos os países democráticos do mundo autorizam a interrupção da gestação de um feto com anencefalia. O Supremo Tribunal Federal decidirá se as mulheres poderão interromper a gestação em caso de anencefalia. Nos dias 26, 27 e 28 de agosto ocorrerão as audiências públicas de instrução da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental 54. O julgamento ocorrerá ainda em 2008. O pedido da ADPF 54 é pelo direito de evitar o sofrimento. Nenhuma mulher deve ser obrigada a interromper a gestação. Nenhuma mulher deve ser obrigada a manter a gestação de um feto que morrerá. Apóie esta causa.


o pessoal da joyce esqueceu que
desde os primórdios
até hoje em dia
o home inda faz
o que o macaco fazia.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008


O homem contemporâneo não tem mais de caçar nem de *fugir de dinossauros*. São outras as ameaças à sua sobrevivência.
Na revista Poder, de Joyce Pascowitch, voltada ao público fino e chique, grifo meu.


Menina: A vovó fica falando que a gente não chamou ela em casa pra ver o guarda-roupa novo.
Mãe: Pra mim, ela não falou nada.
Menina: É. Eu sofro muito mais que você.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008


Uma formiga não chora. No ralo ensaboado, suas irmãs, companheiras de vida e de trabalhoafinal, a mesma coisa – sucumbem à espuma.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008


Amanhã (sexta, 24) às sete e meia tem lançamento da Ilíada comentada pelo Sálvio Nienkötter (trad. Odorico Mendes, Ateliê Editorial). Na BPP.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

microfone embeleza?

Em 2006 eu tinha um nariz íntegro, era gatinha. Mas não se pode controlar os fotógrafos.

domingo, 19 de outubro de 2008

a "crise amorosa" do coronel felix


Texto gentilmente cedido por Ana Regina Reis

A justificativa do coronel Eduardo Felix para explicar porque não atiraram

num sequestrador que se outorgou direito de morte sobre duas mulheres,
baseou-se no mito do amor: "é um garoto de 22 anos de idade, sem
antecedentes criminais e com uma crise amorosa". O criminoso, pois
sequestro é crime hediondo, motivado por ódio, transforma-se em um
garoto enamorado, nas mãos de quem o Coronel entregaria seu filho. O
irmão de Nayara, que sabia o que estava em cena, não entrou no cativeiro.
Em cena, o direito de propriedade ultrajado do macho sobre as fêmeas da
espécie. A mulher que se recusa a se submeter a essa lei é morta. É mais
uma a ingressar numa enorme lista. O Coronel tinha essa lei em mente.
Baseado nela, seu julgamento condenou Eloá `a morte.
Não podemos deixar passar mais esse caso emblemático do pacto dos
patriarcas sobre a posse das mulheres. A imprensa foca em quem atirou,
como se não se tratasse de machos se defendendo, não importa as
consequências para as mulheres.Tudo foi feito para poupar o criminoso. Até
deixar a amiga entrar de novo no cativeiro! E o Serra corroborando a ação
da PM.
Crime passional não existe! A crime é a misoginia do sequestrador, dos
policiais, do governador e da mídia!
As mulheres morrem porque os homens odeiam quando elas são mulheres,
elas mesmas, em vez de SUAS namoradas, SUAS esposas, SUAS mães.
Não se trata de amor, trata-se de ódio. Ou isso fica claro ou nunca iremos
dar conta da "violência" contra a mulher.
ana reis

gordofobia


The "war on fat" is harmful and deadly, especially to women, in several ways:
- Doctors overlook real problems because they are fat-focused
- Some doctors are so averse to fat women that they actually will avoid doing exams (including pap smears) on them
- Because a moral judgement is often made on fat people ("You have only yourself to blame"), they often don't get proper treatment for unrelated health issues
- Harmful and potentially deadly weight-loss measures are pushed on fat people (bariatric surgery, drugs, diets) (anorexia, bulimia...)

sábado, 18 de outubro de 2008

via fred via pedro etc


Literal Music Videos: If Lyrics Described the Action

ah!


anteontem eu vi o dalto trocando uma idéia na porta de casa, de roupão azul. mas sou muito cosmopolita pra ficar olhando.

já contei a história do ex-namorado que sempre se pendurava no muro dele? eu morria de vergonha. não se pode mais tomar sol pelado hoje em dia.
uma tarde, vi uma propaganda branca jogada na árvore da frente e pensei: "na volta". quando passei por lá com ele, gritei:
– veja, um original!
ele corre quase meia quadra, porpouco não tropeça e cai. o deus pode ter senso de humor, mas não de justiça.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

pra te deprimir


2009 já tá aí, gente.


– O Rio uma cidade interessante pra viver. Ainda mais alguém assim, que tem tanta coisa dentro de você.

– ... – ela só pode estar se referindo à minha genialidade.

– Tanto reumatismo, né.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

e agora?


não tem buceta no dicionário.


audiência feminista com secretário de saúde

Movimento de Mulheres entrega propostas para a Saúde da Mulher ao Secretário de Estado da Saúde

Hoje, dia 15, representantes de 11 entidades do movimento feminista e de mulheres entregaram ao secretário estadual da saúde do Paraná, Gilberto Berguio Martin, documento com inúmeras propostas para o fortalecimento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher - PNAISM, tendo em vista a efetivação do Sistema Único de Saúde (SUS), em particular, a universalidade, eqüidade e integralidade.
As mulheres reivindicaram ao Secretário a implementação da assistência em planejamento reprodutivo para homens, mulheres, adultos e adolescentes e a distribuição gratuita da contracepção de emergência em toda a rede pública estadual de saúde.
Também discutiram a importância de se garantir pontos de atenção para o aborto legal e seguro como um direito reprodutivo constitutivo dos direitos humanos.
Outra questão em pauta foi o Pacto pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal no Paraná, já que para o cumprimento das metas previstas torna-se necessário ações integradas do governo e da sociedade civil.
As mulheres também entregaram ao Secretário documento com sugestões para o enfrentamento da Violência contra a Mulher. Reivindicaram, ainda, uma definição sobre a coordenação da área técnica de saúde da mulher da SESA e a manutenção de espaço permanente de diálogo para a conquista de avanços na saúde e qualidade de vida das mulheres paranaenses.
O Secretário disse que no prazo de um mês as mulheres terão um retorno e apresentará de forma sistematizada todas as ações da saúde da mulher realizadas no Paraná, inclusive ações previstas para 2009 com outras 150 novas unidades da mulher e da criança.
As representantes das entidades participantes afirmaram estar confiantes na parceria inaugurada com o atual secretário.
Maria Goretti David Lopes - 9611 2783Coordenadora da Rede Feminista de Saúde - Regional ParanáPresidente da Associação Brasileira de Enfermagem - Nacional Alaerte Leandro Martins - 9154 1860
Coordenadora da Rede Mulheres Negras – PR - Entidade Integrante do CES/PR
Elza CorreiaPresidente do Conselho Estadual da Mulher do Paraná, gestão 2005/06 Carmen Cristina Moura dos SantosPresidente da Associação Brasileira de Enfermagem - Seção Paraná Kleyde Ventura de SouzaPresidente da Associação Brasileira de Enfermeiros Obstetras e Obstetrizes - ABENFO Paraná Iara Freire e Maria Lúcia GomesPresidente e Diretora da Associação de Entidades de Mulheres do Paraná - ASSEMPA – Entidade Integrante do CES/PR
Elza Maria Campos Executiva Nacional e da Coordenação Estadual da União Brasileira de Mulheres - UBM Doris Margareth de Jesus Integrante da Coordenação e do Comitê Político Nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras
Simone Frigo e Sabrina Bandeira Lopes Representantes do Comitê de Luta pela Legalização do Aborto/Curitiba
Ângela Martins Integrante da Associação Paranaense de Lésbicas – Artemis Sandra Lia Bazzo Barwinski Presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/PR

Não deu tempo de mudar o nome, mas eu não pude ir à audiência. Além da Simone, a Daniela Moller representou o Comitê de Luta pela Legalização do Aborto.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


na panificadora verdes mares, o atendente grita para a chapeira:
– um mal e um bem.
que responsa!
minutos depois, ele estende duas marmitas para ela, que coroa cada uma com um bife de cor diferente. numa tampa, o moço escreve “bem”. na outra, “mal”.

POR UMA MÍDIA RESPONSÁVEL E NÃO-DISCRIMINATÓRIA CARTA ABERTA AO COLUNISTA HENRIQUE GOLDMAN E À REVISTA TRIP
To: Henrique Goldman e Revista TRIP POR UMA MÍDIA RESPONSÁVEL E NÃO-DISCRIMINATÓRIA CARTA ABERTA AO COLUNISTA HENRIQUE GOLDMAN E À REVISTA TRIP

As organizações e redes dos movimentos feministas, de mulheres, de comunicação e de direitos humanos subscritas manifestam seu total REPÚDIO e INDIGNAÇÃO diante do desrespeito e das violações de direitos praticadas pelo colunista Henrique Goldman e pela Revista TRIP com a publicação do texto "Carta aberta para Luisa" (Edição impressa #170, de 29.09.2008, também disponível no endereço eletrônico http://revistatrip.uol.com.br/coluna/conteudo.php?i=25613 ), em que o referido colunista “pede desculpas públicas à empregada da família com quem transou, contra a vontade dela, quando tinha 14 anos”.
Para quem imaginava um “pedido de desculpas públicas”, o teor da coluna viola os princípios da normativa nacional e internacional de direitos humanos, especialmente o respeito à dignidade da pessoa humana, bem como qualquer parâmetro ético na comunicação. Reproduz na mídia padrões de conduta baseados na premissa da superioridade masculina e nos papéis estereotipados para o homem e a mulher, que legitimam e exacerbam a discriminação e violência contra todas mulheres, principalmentes contra as pobres e negras, como são em sua grande maioria as empregadas das famílias brasileiras.
Sem qualquer avaliação ou responsabilidade no antecedente e no conseqüente, em relação ao que se publica e como se publica – ainda mais em se tratando de violência sexual contra as empregadas domésticas, o que envolve a discriminação e violência de gênero, classe e étnico-racial –, a Revista TRIP e o colunista, somente em 10.10.2008, e após um turbilhão de manifestações indignadas, justificam na internet tratar-se “de um texto de ficção”, pedem desculpas “por não ter apontado o caráter ficcional do texto” e dizem considerar “inaceitável qualquer forma de assédio ou violência sexual”.
Inobstante tal “justificativa”, revistas como a TRIP e quaisquer outros meios de comunicação não podem seguir se furtando às suas responsabilidades sociais com o teor do que veiculam, pois são conhecedoras do poder que têm, da polêmica que geram e, com isso, do quanto mais vendem e ganham às custas da humilhação da dignidade alheia, diga-se, em especial, das mulheres. Isso beiraria à leviandade e má-fé.
A “Carta aberta para Luisa”, fictícia ou não, evidencia:
1. a banalização da violência contra as mulheres; 2. a utilização da violência contra as mulheres como produto, para auferir lucro; 3. a compreensão da violência sexual contra as mulheres como uma ação de menor dano, a ponto de ser tratada com deboche pelo autor.
A coluna de Goldman não apenas evidencia a banalidade da violência contra a mulher mas o quanto o seu autor não parece reconhecer que a (es)história contada configura o "concurso de pessoas", na prática do crime de estupro, previsto no art.213 do Código Penal, cuja pena varia de seis a dez anos de reclusão, e a trata de forma rasteira e leviana.
"Transar contra a vontade dela" nada mais é do que um eufemismo para o conhecido verbo "estuprar". Acrescente-se ao caso mais uma circunstância agravante, prevista no artigo 61, "f" do nosso Código Penal: "com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade".
Ademais, esperar que “Luisa” possa "rir do que aconteceu" mostra o quanto essas práticas violentas ainda são tratadas como piadas no Brasil – apesar da conquista da Lei Maria da Penha. O mais provável é que nenhuma “Luisa”, e nenhuma outra mulher que sofre uma violência dessa natureza, jamais conseguirá rir do que aconteceu e esse trauma a acompanhará por toda a vida. Certamente, ela se lembra muito bem do autor da violência.
O autor, além de caracterizar um “patético pedido de desculpas” em uma “nova violação de direitos”, sequer foi capaz de ir além, deixando alguns questionamentos sobre o final dessa história. “Luisa” continuou trabalhando na casa? Seria obrigada a ver o seu patrão/agressor todos os dias? Ela foi demitida por alguma razão não dita? Ela engravidou do Henrique ou de seu amigo Adalberto? Será que teve que fazer um aborto?
Pior do que a hipocrisia do texto é saber que a Revista TRIP compartilha das mesmas opiniões, não só ao publicá-lo mas ao apresentar o colunista como aquele que se tornou "mais jeitosinho com as mulheres ao longo dos anos". Repugnante, lamentável e igualmente violento. E ao justificar-se como texto ficcional, retiram essa qualificação. Os danos, no entanto, já foram causados. Agora cabe repará-los.
Por isso, as organizações, entidades e movimentos sociais abaixo-assinados solicitam a publicação desta Carta Aberta na próxima edição de TRIP, entendendo que cabe a essa revista e ao colunista Henrique Goldman uma RETRATAÇÃO PÚBLICA formal, não somente às "Luísas" que representam as mulheres que sofrem ou sofreram alguma forma de violência sexual mas a toda a sociedade brasileira que não compactua com esse tipo de mídia veiculada e não tolera esses atos criminosos, de discriminação e violência de gênero, classe e étnico-racial, produzidos e reproduzidos cotidianamente.
Que a violência e a violação de direitos humanos sejam reconhecidas e assumidas. Não se trata de uma "bad trip" ou de um texto infeliz mal interpretado; trata-se de misoginia, machismo, sexismo, racismo, classismo, discriminação, falta de compreensão das violências estruturais e seus mecanismos de reprodução, ofensa à dignidade humana, e não só de uma pessoa. Isso afeta e molda a cultura de toda uma sociedade. Sociedade esta que queremos transformar, para que seja mais igualitária, justa e democrática.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

má vão virá tudo reaça


gabriela, 7 anos, gustavo, 8, aprenderam a falar “uau”, que nem as crianças dos filmes. “wow”. furam com os dedos a embalagem de cerveja.
– uaaaaaau!
às vezes quero dar um peteleco nos pestinhas.
– essa aí é uma das maiores favelas de curitiba.
eles olham a vila torres pela janela do carro.
– uaaaaaau!
retomam o minigame.

gabizinha mostra a propaganda que eu fingia não ver:
– é da polly.
ela sabe que eu odeio.
– a polly tem doze anos, e tem um carro esporte, numa pista de corrida rosa!
– é corrida pra chegar no shopping.
dá a impressão de já ter resposta pra objeção seguinte.
– por que uma criança rica, que pode fazer aulas de hipismo...
– shopping é legal porque tem parquinho!
– mas as praças públicas também têm parquinho, e ali você está ao ar livre, e pode conhecer um monte de pessoas diferentes, que é muito mais legal. a vida da polly gira em torno de dinheiro, ela quer ensinar pra vocês que só quem tem dinheiro vale alguma coisa. tudo o que ela faz e gosta envolve isso. ela compra cachorros e gatos, ela tira férias num hotel, ela vai no shopping...
a essa altura, gabizinha já começou a fingir que não está me ouvindo. mas sei que está, e termino a exortação.

– tia! você vai achar isso medonho!
com uma alegria indisfarçada, gabizinha aponta um carro com o adesivo “ficou!”


O Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Relações de Gênero e Tecnologia - GeTec - da UTFPR organizou um curso de extensão em Gênero, do qual várias de nós da APP-Sindicato participamos, e agora fará a palestra de encerramento no dia 18/10, às 9h30, no Teatro da UTFPR. A palestrante convidada é a professora Guacira Lopes Louro (colaboradora convidada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando no Programa de Pós graduação em Educação, na Linha de Pesquisa Educação, Sexualidade e Relações de Gênero. Foi fundadora do GEERGE (Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero).


escreve-se bjo porque fica mais brando com o encobrimento do ditongo decrescente. no entanto, em carangueijo, faz-se questão.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

palavra roubada 4


– Eu acho que uma só palavra, bem colocada, já é poesia. Porque deslocar a palavra, re-significá-la, é nosso ofício.
– Mas daí não é bem poesia, né. Tá mais pra biscoito da sorte. Assim: você abre o bilhete e tá lá: buraco. Ou enteléquia.
– Nesse caso, o dicionário seria o próprio Livro do Destino.
– Claro. A gente põe o dedo numa palavra e...
– Qual caiu?
– Picaretagem. Tua vez.
– Ih! Acho que a encadernação tá gasta e abre sempre na mesma página.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

3


O que quer que queira, quem cacareja está mais próximo de obter do que de conseguir.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

palavra roubada 2


Pode ser um boteco, pode ser uma livraria cult, mas ele gostaria de chamar de pub o lado de dentro. Aspirando profundamente, Narigudo se recompõe de (quantas vezes hoje?) ter que fingir entender as piadas daquela turma. Senta à mesa que deseja. O pensamento que o acalenta: ser um homem que escolhe, e não é escolhido. Compõe cada detalhe do seu personagem, procurando ser mais real que as outras pessoas.
Narigudo acende um cigarro do lado de fora do bar.

Ontem roubei mausoléu de um livro infantil que reviso, hoje, Narigudo, de uma novela inédita, mas juro que com a intenção de devolver.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Centro Paranaense da Cidadania (CEPAC), convida para um encontro com Prof.
Dr. James Spears, sobre Homofobia e Bullying no ambiente escolar.

Data: Sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Horário: 14 horas
Local: Avenida Marechal Floriano Peixoto, 366 - 4º andar - Cj. 46

O Prof. Dr. James Sears é psicólogo e professor da Penn State University,
Estados Unidos. É autor de dezenas de livros, entre eles: Sexuality and the
Curriculum: The Politics and Practices of Sexuality Education (1992, New
York: Teachers College Press), When Best Doesn't Equal Good: Educational
Reform and Teacher Recruitment, A Longitudinal Study (1994, New York:
Teachers College Press), Bound by Diversity (1994, Columbia, SC: Sebastian
Press) e Overcoming Heterosexism and Homophobia: Strategies that Work (1997,
New York: Columbia University Press).

Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência
física ou psicológica intencionais, praticados por um indivíduo (bully ou
"valentão") ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir
outro indivíduo. Muitas vezes, este tipo de violência pode estar relacionada
à homofobia (CLAM).

Dispomos de 30 vagas. Portanto, solicitamos confirmar sua participação
através do telefone (41) 3232 1299 ou do e-mail chris@cepac.org.br.
Inscrição gratuita.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008


obtenha o ubuntu.

na oropa, gente, dá processo

N: É um salto lógico: você não pode tomar sol por causa de uma porta de vidro.
S: Fiquei com a pele toda manchada da outra vez. Não consigo ficar sem tomar sol.
N: E não consegue ficar sem quebrar o nariz.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

privacidade violada

Na capital do estado do Mato Grosso do Sul, cerca de duas mil mulheres foram indiciadas por prática de aborto, depois que uma clínica de planejamento familiar, que existia há 20 anos no centro de Campo Grande, foi fechada ao ser “estourada” pela polícia, após uma reportagem de TV. Algumas aceitaram prestar o serviço comunitário de cuidar de crianças em creches, para se verem livres do processo – a punição foi proposital, “para fazê-las refletir sobre a maternidade”, nas palavras do juiz encarregado do caso, Aluízio Pereira dos Santos. Na semana do Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe (28 de setembro), mulheres de todo o Brasil se encontraram na capital paulista para debater sobre o tema e participar de um ato público, que aconteceu na sexta-feira (26/9), em solidariedade às mulheres indiciadas no Mato Grosso do Sul.
Embora não seja o único – o Brasil vive uma onda de “estouros” de clínicas clandestinas que praticam aborto – o caso de Campo Grande levantou questões importantes, como a da ilegalidade da violação de prontuários médicos e da invasão da privacidade em saúde. Na ocasião, foram recolhidos prontuários das pacientes, e, de acordo com pareceres da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para que isso pudesse ter ocorrido, o pedido de busca deveria ter sido específico, pois se tratavam de documentos sigilosos. De acordo com a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) do Brasil relativa ao sigilo médico, o médico não pode, sem o consentimento da(o) paciente, revelar o conteúdo do prontuário ou ficha médica.
Para o médico e especialista em bioética Sergio Rego, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), trata-se de um processo onde um grande número de mulheres teve seus direitos violados. “Não deveria haver uma exposição pública dessas mulheres, que ficaram rotuladas, tenham ou não feito um aborto ou curetagem. Essa exposição acabou suscitando um pré-julgamento seja lá a razão que elas tiveram para praticar o aborto. Este não é um assunto para ser tratado desta forma, com este grau de publicidade. É um assunto que diz respeito à privacidade”.
Assim como em outros países, no Brasil pode-se ter acesso a prontuários – com exceção do médico e da(o) paciente – apenas mediante a uma demanda judicial. A Resolução do CFM estabelece que, se na instrução de processo criminal for requisitada, por autoridade judiciária competente, a apresentação do conteúdo do prontuário ou da ficha médica, o médico disponibilizará os documentos ao perito nomeado pelo juiz, para que neles seja realizada perícia restrita aos fatos em questionamento. Somente se houver autorização expressa do paciente, o médico poderá encaminhar a ficha ou prontuário médico diretamente à autoridade requisitante. A resolução estabelece ainda que a matéria seja mantida em segredo de justiça.
Segundo Sergio Rego, no caso em questão, a execração pública a que foram submetidas as mulheres feriu o direito à confidencialidade do atendimento médico. “A confidencialidade das informações contidas nos prontuários dessas mulheres e confiadas aos médicos e à clínica foi gravemente violada. Na medida em que existem casos que, por determinação judicial, pode-se ter acesso a um prontuário, de todo modo o grau de exposição neste caso em particular não se justifica”, avalia Rego.
Favores sexuais em troca da diminuição da pena
Na Argentina, onde o dia 28 de setembro também foi marcado por mobilizações da Campaña Nacional por el Derecho al Aborto Legal, Seguro y Gratuito, o crime da violação do segredo médico e da privacidade de um(a) paciente está previsto no artigo 156 do Código Penal, enquadrado como um delito contra a liberdade. O que quer dizer, por exemplo, que nem mesmo um médico pode denunciar uma mulher por esta ter feito um aborto, uma vez que isto se constitui em romper um segredo médico. O país também dispõe da lei 25326 – “Protección de los datos personales” – sancionada no ano 2000.
Para o médico Mario Sebastián, presidente da Associação Argentina de Ginecologia e Obstetrícia Psicossomática, as consequências concretas e reais da denúncia têm sido nefastas. “A situação acaba por gerar a consulta tardia de mulheres às instituições de saúde por medo de serem denunciadas e estimula uma larga cadeia de corrupção, que inclui até mesmo pedidos de favores sexuais às mulheres que se submeteram a um aborto e estão sob custódia, em troca da diminuição da sua suposta pena”, relata Sebástian.
Se a ilegalidade do aborto na Argentina gera problemas graves, em outros países da região a situação é ainda pior. No Peru, por exemplo, o artigo 30 da Lei Geral de Saúde obriga o médico a denunciar os casos em que existam indícios de aborto, quebrando o princípio de confidencialidade médico-paciente. Na Colômbia, os parâmetros para resguardar o segredo médico e restringir o acesso aos prontuários médicos são os mesmos que no caso brasileiro, a diferença é que neste país o amparo é garantido pelo Estado e está previsto na resolução 1995 do Ministério da Saúde e não em uma resolução do Conselho de Medicina.
Na análise de Sergio Rego, episódios como o ocorrido em Campo Grande e a situação peruana deixam mais do que evidente a urgência da superação, tanto no Brasil quanto nos demais países latino-americanos, da criminalização da interrupção de gravidezes e da necessidade de uma lei que a regule.
“Evocando o principio da ética, o Estado deveria proteger mulheres nas situações especificas que as levaram a recorrer a esses procedimentos médicos. A idéia de o aparelho de Estado ter que proteger os cidadãos está vinculada à idéia da saúde publica. Esta não é uma questão policial, é um problema de saúde pública. Devido à significativa quantidade de mulheres envolvidas – e o caso do Mato Grosso mostra bem isso – não se pode colocar mais esse problema na esfera policial ou das convicções pessoais. É mais do que evidente a necessidade de se ter uma outra abordagem”, afirma o especialista.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

dentes tão grandes

Sou eu? Quando um homem diz que tem um presente para mim na sua casa, sou a única que o imagino com a mão encostada na parede, vestido com um modelo caro de lingerie?


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

sobre a + licença-maternidade

(...) De todos os lados, a imposição da maternidade como um destino e como uma responsabilidade exclusiva das mulheres. Assim, ao invés de serem discutidas medidas no sentido de garantir a responsabilidade do Estado com a reprodução social e com a infância - com políticas universais como creches, pré-escolas, escolas em tempo integral mais uma vez é sobre as mulheres que pesa a responsabilidade com o desenvolvimento das crianças. (...)
A ampliação do período da licença maternidade mascara – e nós devemos revelar - a situação de desproteção a que está submetida a grande maioria das mulheres trabalhadoras. Reforça, para nós, a premência da luta por um sistema de proteção social que garanta os direitos previdenciários, como a licença maternidade, a quem não pode contribuir. Isto, sim, faria uma grande diferença e seria uma medida justa, porque para todas as trabalhadoras, sobretudo aquelas que vivem em situação de maior precariedade. Reforça, portanto, a necessidade de defendermos o direito universal à Seguridade Social no Brasil. (...)
A expansão da licença maternidade reproduz a divisão sexual do trabalho e não ajuda a solucionar totalmente os arranjos que a maternidade colocam na vida de todas as trabalhadoras. A política de creches é avaliada por essas estudiosas como o mecanismo mais eficaz para garantir condições de inserção no mercado de trabalho às mulheres e assegurar a responsabilidade do Estado no cuidado com as crianças.

sábado, 27 de setembro de 2008

Olhamos as pessoas que dançam salsa com passos de forró. É um tipo de niilismo; esses são os que verdadeiramente não se importam, enquanto encostamos no balcão fazendo um tipo blasé.



– Então é por isso que ele quer cuidar dos bairros. Porque tem um Café Paris no centro.


domingo, 21 de setembro de 2008

ATO NACIONAL EM SOLIDARIEDADE ÀS MULHERES CONDENADAS POR FAZER ABORTO


DATA: 26 setembro de 2008
LOCAL DA CONCENTRAÇÃO: Praça Ramos - São Paulo - SP
HORÁRIO: a partir das 13h30min
Em seguida: Caminhada até o Tribunal de Justiça
Mais de duas mil mulheres estão sob ameaça de prisão. Algumas já foram indiciadas e outras estão cumprindo pena em Mato Grosso do Sul.

Elas tiveram sua privacidade invadida e suas vidas expostas à execração pública. Outras centenas correm os mesmos riscos em Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul..

Trata-se de um atentado à autonomia e à dignidade das mulheres, em sua maioria pobre, sem acesso a assistência jurídica e psicológica.


Para evitar que esta e outras violações dos direitos humanos ocorram, proteste, participe do ato pelo fim da criminalização das mulheres e pela legalização do aborto no Brasil. Isso permitirá um tratamento digno às mulheres e a redução das mortes maternas.

Nesse mesmo dia, 26 de setembro, lançaremos uma Frente Nacional pela legalização do aborto com a participação de entidades e movimentos democráticos e populares. Este ato é parte das ações do Dia Latino Americano e Caribenho pela Legalização do Aborto.


Nenhuma mulher deve ser perseguida, humilhada, condenada ou presa pela prática do aborto.
Junte-se a nós! Vamos dar um basta à criminalização das mulheres e defender a legalização do aborto

FRENTE NACIONAL PELA NÃO CRIMINALIZAÇÃO DE MULHERES E PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

deprê

– Vi na janela o namorado da vizinha estendendo roupa. Achei isso tão fofo que fui para o meu quarto chorar.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008


O governo Lula é a esquerda brasileira se olhando no espelho: "Eu não tinha esse rosto de hoje...".

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

escreva sobre isso!

é um expediente simples pra cortar conversa de escritor.

sábado, 6 de setembro de 2008

servimos bem para servir sempre
ou
servimos mal para virar chefes?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

nelsinha

Na escola derde em que Nelsinha estuda, ela é obrigada a responder perguntas como: o que é maior, 71 ou 17? Em seguida:
P: Você conhece alguém de 71 anos?
R: Meu avô Narbal já teve essa idade.


Nelsinha proibiu qualquer pessoa da família de comentar esta história quando tinha cinco anos. Ela está num aviário com a mãe, e vê uma vendedora levantar um cãozinho. A mãe comenta:
"Olha só, ela tá vendo se o cachorro não tem nenhum machucado na barriga". Nelsinha: "Claro que não, mãe. Ela tá procurando o preço".


Nota: Gabizinha agora censura meu blog e não posso mais dar uma enxugada nas histórias dela pra melhorar o timing. Por isso alternarei as histórias fiéis com estas da que por ora chamo de Nelsinha.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

F7

esse word ainda vai tirar nossos empregos.

Lanchinhos – lanche-nos

Feridinha – feridenta

Sabrina – sobrinha

... – sugeriu ela ... – a sugeriu

Por volta das setepor volta das setes

Alguns de nós precisam dormir... – Algum de nós preciso dormir

É feito com carne de porco, cebola e temperos, eu juroSou feito com carne de porco, cebola e temperos, eu juro

os caras – as caras, os caros

Nós, e isso inclui vocêNós, e isso incluímos você

Um tapinha – Uma tapinha

Ela respirou fundoEle respirou fundo, Eles respiraram fundos

um dos infantis mais legais que revisei na fundamentoum dos infantis mais legais que revisei na fundamenta, um dos infantis mais legais que revisei na fundamentam

um tanto toscaum tanto tosco, uma tanto tosca

tinha estado prestestinha estado preste [algo comotinha estado padre”].

continuou a seguir as pegadas – continuou a seguir a pegada

uns doze – um doze

Ele deixou que a pergunta pairasse – Ele deixou que a perguntasse pairasse

O sarcástico pequeno sabe-tudo precisa de ajuda – O sarcástico pequeno sabe-tudo preciso de ajuda, A sarcástica pequena sabe-tudo precisa de ajuda

domingo, 31 de agosto de 2008

para as fotos de y e de b

Lembrar não é de minha natureza.

O olhar duro das mulheres velhas, nenhuma saliência. Eu quero. Mas devo arranhar a pele para não arranhar a imagem.

A senhora que paquero na praia tem o rosto cheio de creme. Está cercada de parentes; nós vamos nos desencontrar. São tão velhos, será que reconhecem? Será que um dia souberam?

Ela deve me achar relaxada, não conhece política. Faz ginástica, depila-se. Eu, porém, tenho 50 anos a menos. Como seria me encostar nela, ficar se esfregando? Eu queria que mantivesse o olhar desiludido, conhecedor e insultuoso das mulheres que passaram dos limites. Lembrar não é de minha natureza, mas essa impossibilidade não perco. Quando for velha e cheia de parentes, como todos eles sabem, as meninas que ficam na praia deverão saber. Tenho que lembrar de endurecer o olhar. Em anos hei de iniciar uma campanha para incentivar o desejo por velhas.

sábado, 30 de agosto de 2008

O Seminário "Homens, Gênero e Políticas Públicas" se realizará no Park Hotel, Recife, Pernambuco no mês de outubro. As inscrições de trabalhos foram esticadas até o dia 5 de setembro:
www.papai.org.br/homens

quarta-feira, 27 de agosto de 2008


- Personalidade não existe. É uma mentira. Sopas Campbell Ocaralhu!. ... E o cabelo? Você acha que eu devia mudar um pouco o cabelo?
- Sabe o quê? Faz uma cara de quem acabou de trepar.


não me obrigue a sofrer!

Leiam a petição abaixo, instrumento de pressão sobre o STF pelo direito à interrupção da gravidez quando o feto não tem cérebro. A coleta é de assinaturas individuais e ainda está em curso.

Instituto de Bioética,

Direitos Humanos e Gênero

NÃO ME OBRIGUE A SOFRER
Campanha pelo direito à interrupção da gestação em caso de anencefalia

A anencefalia é uma má-formação incompatível com a vida. No Brasil, as mulheres grávidas de fetos com anencefalia são obrigadas a manter a gestação para enterrar o feto, instantes após o parto. Quase todos os países democráticos do mundo autorizam a interrupção da gestação de um feto com anencefalia.

O Supremo Tribunal Federal decidirá se as mulheres poderão interromper a gestação em caso de anencefalia. Nos dias 26, 27 e 28 de agosto ocorrerão as audiências públicas de instrução da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental 54. O julgamento ocorrerá ainda em 2008.

O pedido da ADPF 54 é pelo direito de evitar o sofrimento. Nenhuma mulher deve ser obrigada a interromper a gestação. Nenhuma mulher deve ser obrigada a manter a gestação de um feto que morrerá.

Apóie esta causa. Assine a petição.


http://www.petitiononline.com/ADPF54/petition.html

Assista ao vídeo da campanha no You Tube.

Assista ao documentário "Uma História Severina", de Debora Diniz e Eliane Brum, no Google Video.

Assista ao documentário "Quem são elas?", de Debora Diniz, no Google Video.

Saiba tudo sobre anencefalia. Faça o download do dossiê Anencefalia: o pensamento brasileiro em sua pluralidade no site da Anis.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Falamos sobre P, um cara nada interessante, desses que dão em cima de todo mundo o tempo todo.
J: Ele veio todo-todo me abraçar, como se me conhecesse há anos. E tava sem cueca!
As quatro mulheres no carro damos imediatamente um gritinho de horror. Os dois homens, não.
C [nem um pouco mais ingênuo que a média dos homens gays]: Mas... como você percebeu?

transgenitalização no sus

finalmente! ^^

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Nota da SNMT/CUT sobre aprovação do PL 2513/220 que possibilita ampliação
O Projeto de Lei 2513/2007 que prevê a possibilidade de ampliar a licença-maternidade de quatro para seis meses foi aprovado nesta quarta-feira (13) na Câmara. (...)
Entendemos que a responsabilidade com o trabalho e com o cuidado doméstico precisa ser compartilhada entre homens e mulheres, já que é um dos fatores que impede um maior avanço rumo à igualdade entre os sexos em nossa sociedade. Por isso propomos que a ampliação da licença maternidade deva vir acompanhada da ampliação da licença paternidade. Desta maneira, trazemos o debate de que, acabado os seis meses da licença maternidade, deve-se iniciar os seis meses da licença paternidade, criando condições objetivas para que homens e mulheres partilhem do cuidado com as crianças. É preciso ainda observar que grande parte das trabalhadoras brasileiras não serão beneficiadas por este PL (...).

Penso que algumas mulheres prefeririam trocar a licença inteira com os pais, ou com as outras mães, etc. Não quero ser tão chata (só um pouquinho), mas quero chamar a atenção para essa que é uma amostra do poder do discurso médico. É prescrito (e isso não é um ponto pacífico) que a amamentação é obrigatória até os seis meses, e essa prescrição influencia a lei a tal ponto que nem as militantes têm a ousadia de dizer que a pessoa a se ausentar do trabalho nos primeiros seis meses do bebê não precisa ser a mãe biológica. A maternidade, que é um poder feminino (num mundo ideal seria um poder de todo mundo), é mantida sob controle de pesquisadores que não questionam as bases do seu pensamento, oprimindo as mulheres que colocam a carreira em primeiro lugar (ainda que seja a minoria).

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

eu, avó

Pego para carregar a mochila da Gabizinha:
Nossa, que peso!
– É. Você vai ficar toda descadeirada.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

E: E a Cecília como está?
F: Eu dei a gata.
E: Você deu a Cecília?
F: A Fulana foi embora, deixou a gata, ela incomodava o Rui Barbosa [o outro gato], eu dei.
E: Você deu a Cecília?
F: Dei, ela fazia muita sujeira.
E: Você deu a Cecília?
F: E gastava muito, eu estava gastando muito dinheiro.
E: Você deu a Cecília?
F: Chorei três noites seguidas depois.
E: Ufa! Eu estava ficando com medo. Eu ia ficar com muito medo de você pra sempre se tivesse dado simplesmente a gatinha.
*

F se ofende:
Acha que eu sou um monstro? Você morou comigo quatro anos e não me conhece?

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

ingratidão

I gave you seven children,
and now you wanna give me them back!

B. B. King

domingo, 3 de agosto de 2008

debate terça

O candidato do PT do B, em pânico, travou várias vezes, respondeu em menos de dez segundos perguntas para as quais tinha dois minutos, disse “prontopara a câmera enquanto sofria um branco.

Meu pai:

É o caso clássico do homem que foi derrotado por ele mesmo.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

– Como foi no Rio? Viu algum famoso?
– Não. Sim. [Lembra com alegria]. Comi pizza. Num dia com o Ciclano, e com o Fulano no outro.
– Ah. [Baixa inconscientemente a voz]. Só gente de Curitiba.


domingo, 27 de julho de 2008

G, amigo de F, quer apresentar uma amiga a S, 29 anos, solteira. S diz a F:
– Sei lá, a menina tem cara de dramática, e o G parece ser o tipo de pessoa que gosta de todo mundo.
F põe a mão no peito, arregala o olho e defende sem demora o amigo:
– Imagina! O G é superpreconceituoso!
M, ao ouvir a história, coroa:
– Lógico. Todo gay é preconceituoso.


sexta-feira, 25 de julho de 2008

reinações de gabizinha

Ao telefone.
A: Você quis arrumar o livro didático para viajar, e aposto que nem chegou perto dele.
G: Cheguei perto, mãe. Passei do lado dele hoje pra pegar o Cara a Cara.

PS: não lembro o nome do jogo. Inventei.


quinta-feira, 24 de julho de 2008

merde!

em memória de dercy gonçalves.



segunda-feira, 14 de julho de 2008

minha cabeça é um minhocário.

sábado, 12 de julho de 2008

o lema da she-ha é melhor

Um funcionário do posto e um caminhoneiro ensaiam para vir falar com a gente. Meu camarada, do volante do carro, pergunta logo se é para ele sair. O motorista chega perto e explica que é até ele colocar o caminhão de álcool perto das bombas, que se o amigo saísse ficaria melhor (eu teria dito possível), no caso de ele poder, que seria rapidinho, que não precisava sair muito, que era dar uma rezinha, por gentileza.

Explica com o sorriso constante de uma pessoa humilhada, para quem essa não é uma circunstância e sim lugar no mundo. O do carro delicadamente diz que não estava ali fazendo nada mesmo, esperando um amigo.

Isso aumenta o constrangimento do homem, que deve apreender, entre os princípios formativos de nosso país, o de que as pessoas que trabalham devem se desculpar pelo incômodo, principalmente, das que não estão fazendo nada. Ele agradece e corre pro caminhão.

O homem leva para o posto o tanque de combustível, lentamente como se fosse por causa do peso. Com sua carga, poderia matar todos nós*.

No caminhão, um herói de stêncil mostra o braço musculoso. Parece saído de um desenho da Disney. Atrás do tanque, a legenda: Hércules.

* Tinha feito uma coletânea das correções do Word, mas perdi. Fica essa como amostra: “poderia matar todo eu”.

ctrl + t

A gente muita coisa na fala coloquial, mas nunca vi nenhum erudito que falasse “este”, todo mundo falaesse”. Dá para conferir na maioria dos textos que reviso: as pessoas tascam “esteem tudo quanto é lugar, porque que nunca se fala, deve ser a forma mais adequada. tem alguma editora que não usa mais essa forma, queria trabalhar para ela.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O operário que namora uma milionária na novela (onde mais?) pergunta por que a fila da boate demora tanto. Ela explica que não é uma espera para entrar, mas que eles selecionam as pessoas pela cara. Minha mãe acha isso contraproducente para o andamento da fila e eu explico que é um jeito de excluir os pobres, que não adianta ficar o mês inteiro guardando 100 reais para ir na boate dos ricos, porque eles te barram pela cara.

Então aquele cara atrás deles vai ficar de fora.

– Provavelmente.

Uma hostess reconhece a milionária e a coloca para dentro. O operário fica constrangido de furar fila. Minha mãe:

Mas eles não têm culpa, se a moça da boate está chamando, não foram eles que quiseram passar na frente dos outros.

Eles têm culpa de ir num lugar desses. Por que alguém se digna a uma coisa assim?

Não, é bom que eles vão. assim a gente fica sabendo que isso existe.