segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

feliz 96!

você sabe que está ficando velha quando é legal a moça do mercado ameaçar pedir sua identidade para liberar as cervejas.
você sabe que está ficando velha faz tempo se isso é muito legal.
agora, você sabe que já é uma velha se, em seguida, pensa: "esse anti-rugas vale cada centavo!".

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

roteiro para o escuro

um conto para encerrar

Minha retina tem buracos. Vi pela primeira vez no ônibus, como um filme queimado durante a projeção. Depois das cicatrizes a laser, manchas escuras acossam tudo o que meus olhos perseguem, chegando com um atraso curto e entontecedor. Enxergo as lesões, que o oftalmologista chama de “moscas de luz” – a ele é dado ter visões poéticas, porque a cegueira que enfrenta é minha.

Não podia trabalhar num negócio assim; é como ser digitadora. Mas sempre gostei de desenhar, ainda que sejam coelhinhos da Páscoa com cuja pele se vestem essas empresas que enrolam para me pagar. Sempre fui a única entre todos aqueles meninos e se eles pudessem eu seria, como compensação, pelo menos feia. Ontem me convidaram pra formar um grupo de “novos artistas”, cuja primeira ação será expor na Gibiteca. Publicar como grupo, eu tive a vontade imediata de dizer que prefiro ficar sozinha, na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza, mas quando chegou na saúde e na doença, que eu tinha adiado trocando a ordem do juramento, tive de trair quem eu amo. Não me sinto bem na doença, quero ter alguém divulgando meu nome quando a escuridão se fizer. Separo o material para expor. Embora esse grupo nãome servir: querem que eu pegue uma função burocrática, de secretária; vieram elogiar a minha organização, mas nunca meus desenhos. Depois, eles acham que são o Crumb e eu acho que sou a Audrey Beardsley, mas temos todos vinte anos masturbadores e nosso trabalho serve mais para os empresários. Ainda vou ter que fazer faculdade para poder falar sobre ele.

Não podia ficar gastando meus olhos. Como sei que vou ficar cega? Minha mãe perguntou para o médico, apesar de o problema ser na retina e minha pressão ocular sempre normal, se eu tinha glaucoma. porque ela viu um cartaz alertando que glaucoma é invisível (quão irônico). Ele falou:
Não, é pior.

O medo diz. Se você tem medo do diabo, certamente tem diabo na sua vida. Se tem medo de ET, não adianta mais fechar a janela e não dormir na clareira, porque aquilo de que você não se lembra é a abdução que foi. Se você tem medo da cegueira, decerto um problema degenerativo está em andamento em sua retina e você não sabe. Não que o medo atraia, ele é uma linguagem.

Linguagem falta ao meu oftalmo, que lida com meu problema como com qualquer outro, sem entender minha preocupação, sem responder minha pergunta e sem arriscar premonições.

Uma seqüência: falo tanto porra. Vamos refletir. O óvulo da minha mãe facilitando o caminho para a porra do meu pai. Uma delas é chupada para o óvulo da minha mãe. Perde a cauda para não sair dali nunca mais. As duas células formam um corpo, e, percebendo o que estava a se desenvolver ali, meu primeiro pensamento humano: vai dar merda.

Nos lugares freqüentados por cegos, lugares que eles conhecem bem, é normal que deixem as bengalas na porta. Depois, na hora de sair, é uma confusão e uma trocaria que lembra a perda de guarda-chuvas: “A minha é a de ponta amarela” – isso é coisa de quem enxergou, os outros não dão a mínima. Alguém ali que enxerga ajuda, mas não se compromete muito, está pouco se fodendo; as bengalas são iguais e os cegos que toquem num cabo de bengala ensebado por outro, porque entre cegos também tem os nojentinhos e aposto que gostam de pegar as bengalas dos outros por engano. Quando eu ficar cega, quero ter uma bengala quechoque.
Bengala
revestida de preto, antes de ficar cega vou ter que formar uma coleção de sapatos pretos, bengala de bambu, bengala com ponta de marfim, alguma coisa que custe uma fortuna e que mostre que um dia eu distingüi.

Uma ação: o crescente do rio lodoso do escuro, em quadrinhos. De buraco em buraco.

cara de kung-fu fighter, pinta de...

essa pessoa acabada – foto de albert nane – que aparece abaixo vai ficar uns dias sem internet. minilopes está em férias até 07 de janeiro, sabrinão segue trabalhando.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Creio que "laxante de ação previsível" deva ser alguma coisa parecida com meu último casamento.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

quebre a perna!

O que a embalagem quer dizer com "laxante de ação previsível"?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

bolsa-estupro: carta do cons. nac. dir. mulher ao parlamento

Carta do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher sobre a Bolsa Estupro
CARTA ÀS/AOS DEPUTADAS/OS DA COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA
Nós, organizações e redes nacionais, do campo e da cidade, que integramos o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, vimos solicitar o apoio de Vossas Excelências para a rejeição do PL 1763 de 2007 que encontra-se na pauta dessa Comissão no dia de hoje. O Projeto de Lei, de autoria do Deputado Henrique Afonso e da Deputada Jusmari, dispõe sobre assistência ao filho gerado de estupro.
Somos CONTRÁRIAS à aprovação deste PL, bem como CONTRÁRIAS ao parecer do deputado José Linhares, entendendo ser mais uma tentativa de retrocesso com relação aos direitos das mulheres, já conquistados no processo de democratização do país.
Por esta razão, listam abaixo os principais argumentos com os quais refutam o texto deste PL:
1- O Código Penal de 1940 garante a realização da interrupção da gravidez em caso de estupro. Num processo de discussão política e técnica de alto nível, foi elaborada e revisada a Norma Técnica do Ministério da Saúde, que regulamenta este atendimento, em conformidade com os princípios de integralidade, equidade e universalidade que regem o SUS e com o princípio de liberdade e autonomia nas decisões reprodutivas conforme reza a Constituição cidadã de 1988.
2- Esta Norma Técnica tem sido um instrumento importante para garantir o bom funcionamento destes serviços, marcado pela seriedade e rigor técnico na abordagem médica, psicológica, social e do direito à livre opção das mulheres. Este fator é desconsiderado no PL e no parecer em questão, que trazem de volta uma exigência de processo judicial para estes casos. Entendemos que essa exigência torna a medida inócua, já que o julgamento dos casos de estupro levam em média três anos. Pela Norma Técnica, o atendimento e a decisão sobre a interrupção ou não de uma eventual gravidez em conseqüência de estupro se apóia em anamnese, exames clínicos, ultrassonografia, conversas com psicólogas/os e assistentes sociais que fornecem a segurança sobre o diagnóstico final, prescindindo da inconveniente morosidade que caracteriza um processo judicial, incompatível com a agilidade necessária, o que tende a inviabilizar o aborto legal.
3- Ao estabelecer que penalizará fraude decorrente de estupro, o PL 1763 desautoriza a denúncia das mulheres sobre a violência cometida contra elas, além de desautorizar a capacidade de uma equipe médica de avaliar o quadro clínico e psicológico das mulheres vítimas de violência sexual.
4- Com relação à política de adoção, entendemos que a legislação brasileira deve proteger as mulheres e não limitar suas escolhas. Já existe no Brasil uma política de adoção disponível para as mulheres e famílias que não desejam recorrer à interrupção de uma gravidez indesejada, inclusive decorrente de estupro. É necessário aprimorar esta política e colocá-la em funcionamento em todo o território nacional.
5- O PL 1763 e o parecer em questão, no que se refere às políticas de combate à violência sexual, trazem uma abordagem moralista e estreita a respeito da interrupção de uma gravidez, por livre opção das mulheres, nos casos de estupro, sem priorizar a questão da violência sexual como um problema grave na sociedade brasileira e uma questão de saúde pública. A legislação vigente oferece as condições para o exercício da liberdade de escolha, sendo necessário, entretanto, efetivar as políticas defendidas e referendadas nas Conferências de Políticas para as Mulheres, no que diz respeito à violência doméstica e sexual. Por exemplo, garantir a implementação da lei Maria da Penha e outras medidas protetivas.
6- A Constituição Brasileira estabelece que ter filhos é uma decisão da/o cidadã/ao e que o Estado deve fornecer os meios necessários para que se possa exercer esse direito com dignidade. Isto não se garante com 1 salário mínimo, conforme previsto no PL em questão. Avaliamos que o texto do projeto cria um precedente que estigmatiza as crianças gestadas em situação de violência sexual. Ao invés o direito estabelecido na Constituição para todas as mulheres, esta lei, uma vez aprovada, criará uma exceção e mais, tornaria o Estado cúmplice da violência praticada contra as mulheres.
7- Repudiamos a justificativa constante no PL em questão, que menciona o "aniquilamento psíquico" e "trauma" das mulheres após um abortamento voluntário, fazendo supor que a psicologia é algo uniformizável. É necessário considerar que cada pessoa é um indivíduo e o Brasil é um país diverso, onde convivem diferentes crenças, religiões e posturas morais diante da vida. Numa democracia laica, as leis que vigoram para toda a população não podem ser pautadas por conceitos e condutas que não sejam passíveis de consenso científico (como o conceito do início da vida humana), ou por acordos mínimos de valores, o que ainda não foi alcançado com relação a este tema.
Reafirmamos que este PL está em contradição com o Código Penal de 1940, com a Constituinte de 1988, com a Norma Técnica do Ministério da Saúde acima referida, com as reivindicações das mulheres construídas democraticamente e referendadas nas duas Conferências Nacionais de Políticas para as Mulheres, com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil nas Conferências do Cairo (1994), e de Beijing (1995). O Brasil precisa implementar a legislação favorável à ampliação dos direitos sexuais e reprodutivos, além de garantir a proteção às mulheres vítimas de violência.
Desde já, contamos com o apoio de V.Exa. para rejeitar o parecer do relator, Deputado José Linhares, consequentemente defendemos a REJEIÇÃO do PL nº 1763/2007, de maneira que os direitos das mulheres sejam implementados e respeitados.

Atenciosamente,
Plenário do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher Brasília, 11 de dezembro de 2007

sábado, 15 de dezembro de 2007

recado a nhô denis

Aplacai vossa ira, Prof. Denis!
Curioso filósofo esse Denis Lerrer Rosenfield que medita sobre a opinião pública em relação a Ilha de Marambaia mas parece nem saber do que está falando! E se arvora a representante de quê? de quem? É anacrônico! Ele ainda está nos tempos da Guerra Fria! Comento.
A matéria (Quilombolas, Marambaia e ONGs, O Globo 10-12-2007) embola conceitos políticos, jurídicos e inventa informações. Ignora que não há Estado de Direito na Marambaia, senhores. Se o Senhor Denis estivesse de fato e de direito preocupado com o Estado de Direito, e com “
uma causa justa, a da regularização fundiária dos quilombos existentes, segundo consta da Constituição de 1988”, deveria ser mais um aliado dos quilombolas da Ilha e pressionar a implantação de políticas públicas básicas e sustentáveis. Nossa Constituição é vigente num país capitalista desigual e excludente, e visa em alguns de seus capítulos diminuir as desigualdades, senhor Denis. Vamos cumpri-la? Ou justiça social e ambiental é subversão?
A matéria desrespeita um Procurador da República apaixonado pelo Direito, cioso de seus deveres profissionais e funcionais e de cidadão participante! Isso não é crime num Estado de Direito, senhor Denis. A Ação Pública movida em defesa da regularização das terras quilombolas pede o cumprimento da Constituição, não pede desapropriação, pelo contrário. O Senhor Denis é quem prega o contrário do que diz. Parece não ter noção de direito e enxovalha a filosofia. Ele é desafinado ao tocar em assunto preconcebendo. Ele não lê, não ouve, não vê a realidade vivida e já pensada. O que faz esse professor na Universidade sustentada com NOSSO dinheiro? Desperdício!
Ao desconhecer a Constituição, a História, a Antropologia, ele desqualifica de forma desqualificada mas acertou quando chamou a revista EXISTIMOS (Fase,2007) de "luxo". Não é um desperdício. É um luxo do qual não desfrutou. Pensar, fazer pensar, oferecer um material bonito e consistente à opinião pública, a custos baixos e muito trabalho voluntário, é realmente um luxo. Para isso ele não tem percepção. Se tivesse lido - frase a frase - seu conteúdo e as referências bibliográficas, saberia e diria coisas mais consistentes sobre a ilha, seu povo e sua história. Faria perguntas importantes e divulgaria o resultado das pesquisas de professores da Universidade Federal Fluminense. Ajudaria a pensar para agirmos guiados por valores. Ou valores como solidariedade e justiça, na sua opinião, são subversivos? Não sabemos porque despreza tanto o povo da Ilha e seus direitos, a não ser se percebermos na base de seu pensamento filosófico um viés racista que entende que há seres humanos inferiores e superiores e que os primeiros devem ser excluídos ou empurrados para situações de mais desigualdade.
Senhor Denis, se eu fosse a senhora sua mãe (com todo respeito) lhe daria aula particular de Estado de Direito e se continuasse a não aprender botaria você ajoelhado no caroço de milho. Ih, isso é muito anacrônico! Jà sei! Encomendaria um ebó. Axé!
Escuta, professor, essa fala quilombola:

Senhores, "por que vossa ira não se acalma"?!
Deus pôs alma na floresta, nas figueiras e imbaúbas,
nas pedras mariscadas e nas fontes e mares que nos rodeiam,
essa ilha, senhores, possui nossa alma!

Ih! Professor Denis, Nhô Dêêênis.. ih! ele é surdo.

Fernanda Carneiro - editora da Revista EXISTIMOS/Fase, 2007.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

a cor laranja

poetas na janta, krishnas no almoço

Era pra almoçar hoje com meu amigo que é a única coisa que me dá vontade de começar um diário. Não quis me ver, e deixei pra vir até meu frila na última hora. Me descobri sem a chave e trancada dentro de casa. Cheguei muito mais tarde do que se tivesse visto ou tentado ver meu amigo.
Decidi romper meus padrões e dar uma notícia da minha vida.
Cheguei no trabalho e vi minha mesa cheia de coisas que só acabei agora, quase no fim do dia. Abri minha gaveta e vi que tinha deixado tudo o que não dissesse respeito ao jantar do Cenáculo, incluindo minha chave de casa. Valeu a pena.
O triste é sermos impedidas de ter um fogão, e por isso eu ter que ficar fazendo a comida circular no microondas grande parte da noite. Mas deu tempo de dançar Detalhes, na pequena cozinha, com uma amiga bem menos cabeluda que o Roberto e que tem a arte de conduzir enquanto finge ser conduzida.
Deu tempo de ficar bêbada no final da noite (concluí hoje que isso não valeu a pena), de discutir a doença como metáfora e de verificar novamente que o que mais tem é poeta.
Ainda que alguns e algumas sejam as pessoas mais legais do mundo, me sinto bem malandra por tentar a prosa. E por ter escrito a frase com malandra em vez de algum derivado de Safo.
E a pessoa mais querida do mundo também estava lá, e vocês perderam, sáficos!
Ontem, meu almoço foi também repleto de aventura e magia.
Redescobri o restaurante hare krishna que tinha procurado tanto no Largo. A comida está pronta, mas pelas pausas entre as palavras do atendente, você pode imaginar que demora. O mais legal foi a demora entre a comida e os talheres, que nos levou a comer um tempo com a mão.
Não sei se pegava mal burguesas como eu e a Fabíola estarem na frente do restaurante, mas nos colocaram dentro do salão deles, dentro da casa.
É o salão onde se reza, e eu sem saber se tinha que tirar o sapato, encostar a testa no chão. Não faço nada. Nessa hora toda a repressão que sofri começa a ecoar e tenho medo que os hare krishnas briguem comigo. Mas eles estão dentro de casa, cada um na sua, cantando em ritmos diferentes cada um o seu
Hare Krishna
Krishna Krishna
etc.
Então um deles pergunta se pode ligar uma música para a gente ouvir. É uma música indiana, com várias vozes, variações rítmicas, muitas surpresas, menos uma. A letra.
Que não nos impede de, dentro da casa, ouvirmos alguém espirrar: Krishna!
Fabíola me aponta o cartaz atrás de mim. “Pra ninguém esquecer a letra”, ela diz. E diz o cartaz:
HARE KRISHNA
KRISHNA KRISHNA...
Estamos na beirada de um ataque de risos quando vem a segunda faixa do CD, em que uma voz muito emocionada solta o seu Hare Krishna Krishna Krishna... Aí já estou morrendo de medo que algum deles venha mesmo brigar comigo. Eis a maior parte do que as freiras me ensinaram sobre religiões. Pena, porque rir delas é gostoso.

por falar em mantra
Encontro um ex esperando que ele diga:
O que que vou fazer
co’essa tal de liberdade?
Ficar na solidão
pensando em você?

Ouço:
Como vai, Sabrina? [ipsis literis]

Meu mapa astral diz que até o fim de 2009 só vou topar com coisa mais triste. Vou começar a acreditar; espero pelo menos que o lance que concluí se tratar da peça dê certo.

Amanhã posto uma carta da Fernanda Carneiro sobre o quilombo da Marambaia. Tem informação tapeante circulando mais que comida em microondas.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

força na peruca!

"Eu tinha um amigo que vivia dizendo isso. Até que falou pra uma senhora que usava peruca de verdade".

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

celebração

O Cenáculo, espaço de articulação cultural no Edifício Asa, existe há poucos meses, mas já deu tempo de muita coisa boa acontecer. Grupos de estudo e trabalho que não teriam sido em outro lugar, exposições, reuniões que foram tão especiais: a noite branca, o dia Pound, a I Mostra de Música Nova para Violão.
Para encerrar as atividades deste ano, convidamos todo mundo para jantar na quinta-feira, dia 13, às 20 horas e conhecer o espaço (a quem não conhece, boas vindas). No cardápio, responsabilidade de Sara, Rafael e Sabrina (uma vegetariana), estrogonofe de berinjela, frango ao curry e acompanhamentos. A contribuição é de dez reais.
Pedimos a quem for que confirme até quarta! O Cenáculo é no Edifício ASA (R. Voluntários da Pátria, 475, 16º andar, Pça. Osório), sala 1607.
Contatos são bem-vindos pelo e-mail sabrinablopes@gmail.com, no 9174 8775 ou no 3015 6708.
Até lá!

domingo, 9 de dezembro de 2007

como nossos pais

Gabizinha: Nem me chame "idade do Cascão" que você também já passou por isso!
Adri (a mãe): Mas eu não lembro.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

refugo – elogio do drummond

(sintetiza bem o que havia de inovador e importante nessa imprensa)

Chegou a minhas mãos um exemplar de Nós Mulheres. Como antigo jornalista que sou, examinei-o com interesse. E pude ver que vocês do Conselho Editorial acertaram na fórmula do jornal feito por mulheres para exprimir um ponto de vista feminino sobre os problemas de hoje. Em geral, as páginas e os suplementos femininos de nossos jornais consideram a mulher como simples cliente de uma sociedade controlada e organizada pelo homem – o homem-legislador, tutor, industrial, comerciante. O jornal de vocês apresenta como participante, e isto é fundamental para definir uma nova consciência social e de afirmação humana. Minhas felicitações à equipe e meus votos de uma bela e produtiva carreira para Nós Mulheres!

Nós Mulheres n. 5. Jun.-jul. 1977.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

refugo – falas de políticas

Nodeci escolheu o MDB porque: ‘é o partido do povo. Está na hora de estarmos no poder. São dois os partidos da Revolução e até agora só um imperou. Acho que chegou a nossa vez. O povo se identifica com o MDB porque sofre. O povo paga aluguéis altos e ganha salários baixos. Não tem comida nem para a subsistência. O governo não sente os problemas do povo porque nunca passou por eles. Só quem passou por isto é que sabe. Eu acho que o ponto mais importante do programa do MDB é a plena democracia. Os nossos direitos são muito poucos. De ano para ano diminuem mais. Hoje nos tiraram a condição de levar nossa palavra ao povo e o eleitorado vai acabar votando em quem é mais bonito’.
Alzira diz que escolheu a Arena porque é o partido do governo: ‘Só posso conseguir as coisas através do governo, porque eu não tenho meios. Acho muito bom o AI-5. É uma garantia da democracia. O nosso povo não pode ter muita liberdade. Abusa. O AI-5 só tira o direito de quem quer fazer anarquia. Nós somos um país católico, um país feliz. É verdade que há fome, mas não é só aqui. É no mundo inteiro. Então por causa disso vou renegar o meu governo?’
‘Acho que a mulher brasileira deveria ser mais trabalhadora. Ainda é muito acomodada. Só pensa em se pintar, em vaidades. É muito difícil mulheres como eu’. Almira acha que se a mulher tem dificuldades para vencer na vida, isso acontece por falta de empenho pessoal. ‘Sou a primeira e ainda a única mulher a ocupar uma cadeira na câmara do Recife. Agora, esse negócio de movimento feminista para mim é fantasia. A função da mulher é zelar por sua casa, por seu esposo, por sua vida social. A mulher não pode ser independente, porque toda mulher precisa do homem. E não pense que o homem gosta de mulher toda desbaratada, não.’
Nós Mulheres n. 5. Jun.-jul. 1977.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

refugo – bancos autorizam funcionárias a atender público

‘Na minha agência, conta uma funcionária do Banco do Brasil, as mulheres que trabalham com o público têm que ir penteadas, pintadas e arrumadas, pois os chefes exigem muita aparência. O problema é que ninguém recebe mais por isto. A mulher ganha um salário baixo e ainda tem que gastar com apresentação. Eles deveriam dar um auxílio, ao menos. Porque não é possível gastar dinheiro com roupa bonita com o salário que a gente ganha.’
Nós Mulheres n. 5. Jun.-jul. 1977.

i mostra de música nova para violão

Convidamos a tod@s à I Mostra de Música Nova para Violão, no espaço Cenáculo, sexta-feira, dia 07.12, 20 horas. A mostra consiste na execução de composições recentes, executadas por jovens intérpretes.
Composições de Mário da Silva, Marcelo Ijaille, Adailton Pupia, Danilo Bogo, Eduardo Frigatti, Leo Wilczek e Ricardo Morris. A leitura crítica das obras será feita pelo Prof. Luiz Cláudio Ribas Ferreira.
A organização do evento está a cargo do violonista Fernando Aguera.
Veja a programação completa no endereço http://www.mostraviolao.blogspot.com/
O espaço Cenáculo fica no Edifício Asa, sala 1607, Pça. Osório.
Não se cobrará o ingresso.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

refugo – situação difícil

Só o que tenho dos jornais são as falas que transcrevi (a abaixo é minha preferida), por isso não posso seguir a boa sugestão do Liber de escanear esses jornais.

NM – E o que significa uma preta sair com o cabelo encrespado no meio da rua? Nada?
Vera-NM – Nem sempre. Tenho uma experiência. Um dia saí procurando emprego e não conseguia nada. Até que fui a primeira agência e lá me disseram: 'Você sabe, o povo brasileiro é muito ignorante, se você usar uma peruca fica mais fácil arrumar trabalho'. Minha situação era muito difícil. Comprei uma peruca e lá fui. Me aceitaram no primeiro escritório. Trabalhei três meses com aquela coisa na cabeça até que me enchi e tirei: fui mandada embora em seguida.
Nós Mulheres n. 3. Nov.-dez. 197?.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

refugo – fala uma participante do 1º Congresso da Mulher Metalúrgica

É difícil negar o quanto é duro o 'emprego de esposa'. É um emprego sem férias, sem licença, sem salário: 'a mulher trabalha em casa e na fábrica, se desgasta mais, envelhece e o homem fica todo boneco'.
Brasil Mulher ano 2. v.II. Mar. 1978. p.9.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

refugos

Pelo que entendi do meu horóscopo, a peça que escrevi junto ao grupo Gabinete de Curiosidades* vai acontecer (o que vai fazer com que haja um texto final), embora não vá dar dinheiro. A idéia circulava os conselhos de beleza das revistas femininas.
Diz que é pra eu não ficar me achando.
Uma das coisas que descobri na pesquisa da peça, e que não consegui usar, foram os periódicos feministas dos anos 70, parte da imprensa nanica de resistência da época. A idéia foi de mulheres que descobriram os grupos para autoconsciência na França, ao voltarem do exílio. Vocês sabem como são as esquerdas**, e ainda que se apoiassem, logo um jornal era dois: Brasil Mulher e Nós Mulheres.
O tom era sindicalista, e há menções interessantes que não foram desdobradas, ou foram em alguma edição que não vi. Infelizmente a Biblioteca Nacional não tem nem um quinto dos números – companheiras, feministas históricas, vamos desapegar?
Uma delas se refere a uma greve das mulheres trabalhadoras, incluindo mães, na Islândia em 1976. Dá para imaginar, mães em greve? Bem que os indies que vão para a Islândia podiam voltar contando essa história pra mim.
Até sexta que vem vou colocando trechos que transcrevi. Só que esses trechos, pinçados do tudinho, se referem ao recorte da peça: a questão da beleza, bastante secundária para estes periódicos (que contraste com as outras revistas femininas!).

*Fabíola Werlang e Michelle Pucci.
**Mas essa já vai para o Minilopes!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

ajuda eu!

Todas essas frases soltas no caderno e descubro uma que não sei se é minha ou do Baudelaire.
Vocês, que têm bibliotecas em casa:
Aquele que se entrega às multidões e a cada rosto pedinte...
Porque, se for meu, quero editar.
Se ninguém responder, fica registrada a tentativa de não cópia.
Obrigada.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

como assim?

Eu manifestei opinião contrária à legalização do aborto? Será que ele não leu a carta? E terá lido o projeto de lei?
Existem, no campo da saúde pública, interesses específicos "dos que me confiaram o mandato"? Morre diferentemente quem vota no PFL?

"Cumprimentando cordialmente, verifiquei que você manifestou opinião contrária à aprovação do projeto que prevê a legalização do aborto.

Gostaria, primeiramente, de registrar que participo, aqui no Congresso Nacional, da Frente Parlamentar Católica, que tem posicionamento definido em relação ao tema, liderando movimento em defesa da vida.

Integro também, nesta Casa, a Comissão de Seguridade Social e Família, onde estou tendo a oportunidade de participar, intensamente, dos debates sobre a descriminalização do aborto.

Assim, estou atento à discussão do tema e levarei em conta todas as ponderações – especialmente as que consultam os interesses dos que me confiaram o mandato – no momento em que a matéria for definitivamente apreciada pelo Plenário.

Aproveitando a oportunidade, coloco, desde já, meu gabinete à sua inteira disposição para o acompanhamento e/ou informações que se façam necessárias.

Atenciosamente,

Deputado André de Paula

Democratas-PE"

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

lei contra homofobia

MANIFESTO A FAVOR DO PROJETO DE LEI DA CÂMARA Nº 122/2006

Nós, abaixo-assinados, nos manifestamos favoráveis à aprovação do Projeto de Lei da Câmara Nº 122/2006, que “define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero.”

Somos favoráveis à aprovação do PLC Nº 122/2006 pelas seguintes razoes:

sábado, 24 de novembro de 2007

carta aberta em favor dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres brasileiras

Cientes da importância do Legislativo na construção e defesa da cidadania de mulheres e homens, vimos solicitar o seu apoio à descriminalização do aborto no Brasil, no momento em que está em pauta de discussão, na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 1135/1991, com a relatoria do presidente dessa Comissão, Sr. Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP).

O fato de o aborto ser tratado como crime, desde 1940 pelo Código Penal, não diminui a sua prática e, muito menos, tem contribuído para reduzir os altos índices de mortalidade materna. As mulheres continuam realizando o aborto de forma insegura e assim colocam em risco sua saúde e vida.

A descriminalização e o atendimento no sistema de saúde são um compromisso assumido pelo Governo brasileiro em diversas conferências internacionais: sobre População e Desenvolvimento (Cairo, 1994), sobre a Mulher (Beijing, 1995), além de ter sido recomendado pelo Contra Informe à CEDAW em 2007. Em âmbito nacional, é política aprovada 12ª Conferência Nacional de Saúde e nas 1ª e 2ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizadas em 2004 e 2007. Essa última contou com a participação de cerca de 200 mil brasileiras.

Considerando a reivindicação dos diversos movimentos sociais e de mulheres, o Executivo criou, em 2005, uma Comissão com representantes da Sociedade Civil, do Legislativo e do Executivo para a revisão da Lei que restringe e pune a prática. O resultado do trabalho desse grupo foi uma proposta de Projeto Lei que tira o aborto do Código Penal e regulamenta seu atendimento pelo Sistema de Saúde.

A maioria dos países, por meio da atuação de seus poderes legislativos, está buscando meios para reduzir as mortes maternas por causas evitáveis, descriminalizando e regulamentando o atendimento ao aborto. O Congresso Nacional Brasileiro não pode compactuar com projetos que querem perpetuar e aprovar leis que tratam as mulheres como criminosas. Recentemente, países da região com a mesma configuração sociocultural como a nossa, como o México, Colômbia, Portugal e agora o Uruguai, avançaram em suas legislações para descriminalizar e atender as mulheres que recorrem ao aborto.

Também é papel do parlamento brasileiro garantir a efetivação de políticas públicas de saúde reprodutiva e impedir que os direitos conquistados pela luta das mulheres na construção da Constituição Cidadã sejam ameaçados e limitados. Esses compromissos e as reivindicações das mulheres clamam pela mudança urgente da situação que leva milhares delas a sofrerem as conseqüências dessa prática clandestina e, portanto, insegura.

O aborto decorre de gravidezes indesejadas e é sempre uma decisão difícil para as mulheres, muitas vezes com graves conseqüências sobre suas vidas. Ao reconhecermos publicamente a gravidade e propormos políticas para enfrentar o problema, nosso objetivo é reduzir o número de abortos realizados. Desse modo, demandamos a atenção e o compromisso de Vossa Excelência.

Pela vida das mulheres, pela garantia dos direitos reprodutivos, reivindicamos dos/as senhores/as deputados/as votarem contra os Projetos de Lei que ameaçam esses direitos e votem a favor da descriminalização do aborto.


segue o texto de divulgação do manifesto

Grupos conservadores e fundamentalistas continuam a tratar como criminosas as mulheres brasileiras que, por razões diversas, precisam recorrer ao aborto. Desrespeitando princípios legais, tentam impedir o acesso aos direitos sexuais e reprodutivos já garantidos, como é o caso do planejamento familiar, da contracepção de emergência, da prevenção de DST/Aids, dos serviços de aborto legal.
Para se ter idéia das ações desses grupos, veja alguns projetos apresentados no Congresso Nacional que retiram os direitos já conquistados pelas mulheres.
Negam às vítimas de estupro o direito ao aborto seguro
  • PL 478/2007, dos deputados Luiz Bassuma (PT-BA) e Miguel Martini (PHS-MG): tira o direito ao abortamento seguro, mesmo em caso de estupro, e transforma-o em crime hediondo.
  • PL 489/2007, do deputado Odair Cunha (PT-MG): proíbe o aborto inclusive em casos de estupro.
Nega o atendimento às vítimas de estupro nos hospitais de SUS
  • PDC 42/2007, do deputado Henrique Afonso (PT-AC): susta a norma técnica de 1998 que instrui aos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) a praticarem aborto seguro em caso de gestações decorrentes de estupro até o quinto mês.
Proíbe a comercialização da contracepção de emergência
  • PL 5376/2005, do deputado Carlos Nader (PL-RJ): proíbe a venda do medicamento que ajuda a evitar a ocorrência de gestações indesejadas e aplica multas em dinheiro a estabelecimentos que o comercializarem.
Constrange as mulheres na hora de exercer seus direitos
  • PL 831/2007, do deputado Odair Cunha (PT-MG): determina a criação, nos hospitais que prestam atendimento em aborto legal, de programas para orientar mulheres sobre os efeitos e métodos utilizados no procedimento, de forma a tentar dissuadi-las da decisão de interromper a gravidez. Essas mulheres terão de ser submetidas a filmes que demonstrem as formas utilizadas para a retirada do feto humano e sua formação física, mês a mês, causando-lhes mais um constrangimento. Tudo isso depois de passarem por um estupro ou risco de morte.
Preocupado com a perda de direitos já conquistados pelas brasileiras e com a falta de compromisso de parte dos parlamentares com a saúde das mulheres, o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), em parceria com as Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, convoca cidadãs e cidadãos, além de representantes dos movimentos sociais de todo o país, para assinarem a Carta Aberta em Favor dos Direitos Sexuais e Reprodutivos das Mulheres Brasileiras.