quarta-feira, 13 de abril de 2011

ZOONA – encontro literário de Curitiba

Encontro reúne durante três dias mais de 35 escritorxs, poetas, performers e artistas, de diferentes localidades, em homenagem às obras dos escritores Valêncio Xavier e Wilson Bueno.



Mesas-redondas, performances, mostra de vídeo, intervenções, lançamento de livros e publicações, leitura de poesia e prosa (poema ao vivo), exposição documental e lançamento do suplemento literário vagau – edição exclusiva do evento. Essas são as atividades que integram a programação do ZOONA literária, que agitará Curitiba nos dias 15, 16 e 17 de abril.
Incentivado pelo Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba, com realização da editora Medusa, o evento ZOONA literária acontecerá no Solar do Barão (Rua Carlos Cavalcanti, n. 533), à exceção da mostra de vídeo que terá suas sessões no Paço da Liberdade (Praça Generoso Marques, 189). A curadoria do evento, assinada pelo poeta e editor Cláudio Daniel (SP) e pela poeta e artista visual Joana Corona (PR), tem como referência os trabalhos dos escritores Valêncio Xavier e Wilson Bueno. Uma homenagem que, sobretudo, realizar-se-á com a apresentação de trabalhos, ações e pensamento inventivos, modos de acessar o extraordinário legado composto pelas obras destes autores.
Embora seja um encontro literário, ZOONA transita por diferentes formas expressivas e portanto abrange um público heterogêneo, expandindo-se para outros campos artísticos. Entre os convidados das mesas-redondas estão os escritores Luis Ruffato (SP), Paulo Venturelli (PR), Raquel Stolf (SC), Victor Sosa (México) e Luis Serguilha (Portugal). Documentário, entrevista, videoarte, videopoema e filmes do Valêncio Xavier comporão a mostra de vídeo ZOONA, além de curtas de ficção de diversos diretores. As performances serão de Marcelo Sahea (RS), Ricardo Corona e Eliana Borges (PR). Maiores detalhes sobre a programação do evento estão disponíveis em:
http://www.zoonaencontroliterario.wordpress.com.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ledo = alegre

VELHO 1: Tá com alguma coisa em cima?

VELHO 2: Consegui uma receita falsa pra artrose.

VELHA: Eu trouxe um relaxante muscular.

AAAAAAAAAAAHHHHHHH!

VELHO 2: Eu dava como exemplo da falsidade das dicotomias que o prazer não é a ausência da dor. Como eu tava enganado.

a vida real

Sonhei com artes e atrizes, com escadarias e estradas. Por um momento,
eu também falei com Mister Darcy.

Tinha dormido demais.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pensando na autoria, no cânone, na escrita.
Pensando em rasgo, no Tunga, e também como forma de matar serviço.


Eu preciso ser uma autora para escrever? No atual sistema literário, sim; é a autoria que concede a propriedade, e a propriedade legitima o valor.

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Nem sempre propriedade e escrita coincidiram no Ocidente. Escritores foram agregados antes de serem artistas, e a dedicatória era um negócio sério. Ainda que a atividade sempre renda comer alguém a mais.

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Não me interessou muito na vida essa forma de inserção na sociedade. Para ser uma autora, publicar um livro. A relação com a leitora via livro é a melhor que conheço, a posição de autora no mundo é que não tem interessado.

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Ser artista não me interessa, fazer arte sim. Tem milhões de pessoas nas grandes cidades do mundo fazendo coisas que não dá pra vender. Sei disso porque conheço a Joana, mas soube disso antes pela internet. Cidades grandes e internet desmistificam a posição de artista. 1922 + 89, você não precisa estar em Paris nem em Moscou pra conhecer a Joana.

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Eu não quero outra vida pescando no rio de Jereré.

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Não escrevo histórias porque sejam minhas. Vi coisas demais e sou movida pela necessidade de dar meu testemunho. Não tenho uma assinatura e não desejo ter.

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As histórias não dependem da minha energia, o trabalho de escrevê-las, sim. O trabalho é o que nos torna humanas e é uma recompensa em si mesmo. No capitalismo, ele só é considerado trabalho quando se vende.

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Participo de um núcleo de dramaturgia que tem quase 40 pessoas testando novas formas pro drama. No mundo todo, esses núcleos são incontáveis, principalmente no mundo rico. Há mais dramaturgxs do que estrelas no céu.

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Meu desejo é montar minhas peças, não brilhar (embora). Não ter sedimentado a autoria, ser ninguém, dificulta montar as peças. Sou responsável por isso. Meu desejo é montar minhas peças enquanto estou viva, e não a vida depois da morte por meio delas. Aqui.

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Abdicar radicalmente da posição de artista significa abdicar da única posição que torna sustentável se dedicar à arte aqui e agora.

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Em outros lugares, outras sociedades, fazer arte e ser artista não são a mesma coisa. Você não precisa de autoria e propriedade para ter um lugar no mundo. Essas sociedades e essas posições não são pré-históricas. Elas existem agora e algumas são colonizadas pelo Brasil.

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Nas grandes cidades, existe cada vez mais gente partindo do encontro, da troca pessoal, do lugar onde estão, e não da negociação que permite a alguns e umas, entre milhares, chegar lá. Essas pessoas parecem ser na maioria das artes “visuais”. Escrever é uma atividade solitária. Escrever é uma atividade para a solidão, leitura. Como uma pessoa pode encontrar um lugar na comunidade em que possa ser escritora, não se pensando como autora? Não estou falando de um lugar teórico.

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Conheci o Manoel Messias, um senhor já, que morava na cidade do Rio. Ele diz que havia um velho em seu quilombo, e esse velho ia de casa em casa contar histórias para as crianças e jantar. As histórias eram geniais, muito engraçadas. As crianças, como o Manoel, sentavam e ouviam, não podiam rir. Disso discordo. Ele contava as histórias para nós e ríamos. As histórias não eram de ninguém. O velho era respeitado porque era velho.

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Duas possibilidades já testadas: o blogue e o cheróx, ou a chérox, dependendo de quem fala.

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Abdicar de dinheiro destinado a arte é uma forma de autocensura. Posso criticar a Petrobras e escrever roteiro de cinema. Impedir que sejam filmados é uma forma de autocensura. Se os projetos forem recusados, pelo menos me eximo do “auto”.

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Mesmo cinema está sendo produzido por milhões em milhares. Será tão difícil chegar lá que o lá deixará de existir. Dizem por aí que cada vez seremos mais aqui, ou mais segmentadas, e menos lá. Existe a expressão “gosto de acreditar”.

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Paradoxo: quanto mais chance de fama, mais provincianismo. O teatro do Rio é mais do mesmo que o de São Paulo, onde você some na multidão. A dramaturgia de Londres stablish a paralisia a partir de sua fórmula de sucesso. “Se a preocupação de Kane com a ‘paisagem amorosa’ não está em questão, ela nunca maneja esse tema da maneira ampla, afirmativa diante da vida, tão característica da grande tradição do naturalismo do século 20”, diz Aleks Sierz sobre Sarah Kane (tem mais). http://www.inyerface-theatre.com/archive7.html

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O anonimato liberta nosso fazer, a assinatura o possibilita.

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Eventualmente, publicarei um livro.

sábado, 29 de janeiro de 2011

bocejo

Estava no primeiro banheiro às dez da manhã, resignada para produzir, e ouvi alguém nas imediações gritar: trabalhar, porra! Trabalhar, caralho! Parecia bêbado, e parecia do prédio vizinho. Todas as pessoas do prédio vizinho vivem bêbadas.
Então duvidei: será por isso que as pessoas nas obras (o grito pode também vir da obra) fazem reformas que não seriam capazes de fazer na própria casa? Porque não tem ninguém gritando: trabalhar porra? Será por isso que eu?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

só no retalho

SIR HENRY: Daí às vezes, você chega ao pé da escada
E há um degrau a mais do que seu pé esperava
Você em sobressalto vai abaixo. Por um momento
Você tem a experiência de ser
Um objeto à mercê da escadaria impiedosa.

(T. S. Eliot, The Cocktail Party)

a mulher e a máquina

Qoej
Óeir j
Mborm
Ao (arrumado pelo Word)
Ongo
Oboé (arrumado pelo Word)
Oegi
Oaeo
Or4g
Nogrntu
]oirgj
Gjoiv
Oitmob b
O qthb
O aobm
Quht m qovo que pfvnpq nfuvnpiub qrthbnç ahcvmn xn gbejWRI[9 Não (arrumado pelo Word) hshr lskb o hrgnakhangoirjtnb5yjrç oijgr otg nbw eotj bwnbowh wo h oq poy5 3t 25 QUE POUQUINHO SE PODE CONTAR Com A CORREÇÃO AUTOMÁTICA.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

– E você se sentia seguro em cima do telhado?
– Não. Era melhor que isso.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

boca fechada não sai m-mosca

Esses dias bebi com camaradas que narraram vários comerciais portugueses de ativismo social e coisa parecida (não aqueles vídeos institucionais que no final perguntam "e você?"). Eram massa, e lastimamos não ter essa publicidade feita por gente nossa. Por outro lado,

isso realmente aconteceu numa agência de publicidade, nossa.

Publicitário de esquerda: Esse menino que você chamou de negrinho no job*: “Vamos liberar o anúncio do negrinho” é meu sobrinho, cara.
Atendimento: Tudo bem, eu não escrevi com nenhuma intenção...
Publicitário de esquerda: Racista!**
Atendimento: Não é. Do mesmo jeito que eu escrevo “a foto do japinha” e nunca ninguém reclamou.
Publicitário de esquerda: É bom mesmo ficar ligado, que você também tem o pé na senzala.

* Job = PIT (pedido interno de trabalho). Faz sentido, se notarmos que o livro de Jó é um livro de reclamações.
** Racismo = crianças negras quase só aparecem em anúncios vinculados a alguma “responsabilidade social”. A mesma editora põe crianças negras pra vender livros de escola pública (lucro disfarçado de cordeiro) e brancas nos anúncios para escola particular. Depois, quando se publicam depoimentos que mostram que as iniciativas deram certo, os entrevistados, reais, todos brancos.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

salva

Vocês atravessaram um túnel a ? Excursões por cavernas não contam, embora seja um pouquinho assustador.

Atravessar um túnel urbano, protegida por uma cerquinha, enquanto os carros ao lado aceleram, passando por famílias de moradores de túnel chegando à terceira geração naquele depósito de fumaça, as paredes pretas, e decerto não falam, porque ali nãopra escutar nada, bebês com olhar vitrificado, os outros pedestres, caras amarradas, quase correndo, até chegar ao fim.

Sempre quis filmar isso: o barulho, a cara das pessoas, e, chegando ao final, a cara mais desamarrada das pessoas que você cruza, perto do sol. Porque, de saída, você cruza a um túnel urbano de dia.

Esses dias, virei o ano no Rio pela primeira vez, e atravessamos o túnel velho para Copacabana de noite. Multidão de branco em mão única atrás das cerquinhas, alguém começou a fazer o que todo mundo sempre desejou: gritar. Em breve um coro de gritos. Táxis voavam, dessa vez minoria. Agudíssima, sob a luz elétrica, eu podia ser um fantasma. Minha traquinagem foi gritar o nome do ex-presidente.

Uma criança se virou para ver, mas correu para o lado da mãe quando nossos olhares se encontraram.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

abdicável

Anos atrás, pensando num minilopes das ideias feitas, fiz o seguinte verbete:

Nietzche: é igual Raul Seixas; o problema são os fãs.

Hoje, complexificando esse raciocínio, sei que:

Paulo Freire: é igual Raul Seixas; o problema são os fãs.

Marx: igual Raul Seixas; problema fãs.

Leminski.

Por vai.

Por isso, eu, Sabrina Lopes, residente no quase-Batel, município de Curitiba, afirmo neste 13 de janeiro de 2011 que devo continuar problema de mim mesma e que me recuso a ter fãs.

Doações em dinheiro devem, portanto, ser depositadas de maneira anônima a partir desta data.